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sábado, 9 de abril de 2011

A responsabilidade dos Médiuns


As reuniões espíritas de intercâmbio espiritual prestam o valioso serviço de possibilitar o equilíbrio psicofísico de certas criaturas que, devido à sua faculdade mediúnica de alta sensibilidade psíquica, sofrem assédio constante por parte dos espíritos desencarnados que desejam comunicar-se para expandirem os seus males ou queixas e serem esclarecidos das dúvidas e confusões que ainda se encontram.

Esses espíritos desencarnados encontram-se na mesma situação confusa do indivíduo que, na Terra seja transferido, de repente, para um país estrangeiro, cujo idioma, hábitos, costumes e ambientes são completamente diversos daquele onde ele viveu durante toda a vida. Ou seja: embora não sendo cego, nem surdo ou mudo, ele encontra-se impossibilitado de manifestar as suas emoções e entender o que lhes dizem os habitantes desse outro país. Faz-se, pois, mister serem esclarecidos ainda mediante a palavra humana e no ambiente do próprio mundo onde viveram.

Então, os trabalhos das sessões espíritas devem ser ampliados cada vez mais, pois além de constituírem um veículo de socorro eficaz aos espíritos que se encontram perturbados, é também uma forma de desenvolver a mediunidade dos assistentes ou participantes que possuem essa faculdade.

No tocante ao médium, devemos lembrar que ele não é um missionário, na acepção exata da palavra. Salvo raras exceções, o médium é um espírito devedor, comprometido com o seu passado. Assim, a sua faculdade mediúnica é um ensejo de reabilitação concedido pelo Alto, no sentido de acelerar a sua evolução espiritual. Portanto, além de dar cumprimento aos deveres inerentes à dita faculdade, terá de enfrentar também as contingências que a vida impõe a todos, pois os problemas que lhe dizem respeito só podem ser solucionados e vencidos mediante a luta e não pela ajuda dos seus guias, pois estes somente ajudam os seus pupilos quando eles fazem jus pelo esforço próprio.

A sua faculdade mediúnica não é privilégio, nem o isenta das vicissitudes e das exigências educativas da vida humana. Em conseqüência, a saúde ou a doença não dependem especificamente da pessoa ser ou não ser médium. O espírito que já renasce na Terra comprometido com o serviço mediúnico, que o ajudará a reduzir o fardo cármico do seu passado delituoso, deve cumprir o programa que ele mesmo aceitou no espaço.

Quando o médium se empenha em dar fiel cumprimento à sua tarefa mediúnica e enfrenta as adversidades da vida com estoicismo e resignação, neste caso, no plano espiritual há sempre uma equipe de espíritos beneméritos que o amparam a fim de lhe tornar mais fácil vencer os obstáculos da sua jornada. Porém, quanto a sua função de “ponte viva” entre o setor invisível e o mundo material, é grande a sua responsabilidade, pois além de tratar-se de um encargo que ele mesmo aceitou antes de reencarnar, a mediunidade é um ministério ou contribuição de esclarecimento destinada a esclarecer as consciências, sendo, pois, um serviço a favor da própria humanidade.

A função do médium assemelha-se à do carteiro, o qual, embora seja a peça de menor destaque na correspondência entre os homens, caso ele se recuse a cumprir a função de entregar as mensagens aos destinatários, semelhante negligência constitui uma falta bastante grave. Em tais condições, desde que se rebele contra a sua obrigação ou se escravize a vícios e paixões que prejudiquem e inutilizem a sua tarefa mediúnica, então será vítima dos espíritos das sombras e, por sua culpa, enfraquece o serviço libertador do Cristo.

No entanto, o médium laborioso e desinteressado, disposto a vencer todos os obstáculos, conseguirá transpor todos os empecilhos do mundo e até os que estão em si próprio.

Ramatís
Do livro “Elucidações do Além”
Psicografia de Hercílio Maes

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