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sábado, 4 de junho de 2011

Pretos Velhos - História


História

As grandes metrópoles do período colonial: Portugal, Espanha, Inglaterra, França, etc; subjugaram nações africanas, fazendo dos negros mercadorias, objetos sem direitos ou alma. Os negros africanos foram levados a diversas colônias espalhadas principalmente nas Américas e em plantações no Sul de Portugal e em serviços de casa na Inglaterra e França. Os traficantes coloniais utilizavam-se de diversas técnicas para poder arrematar os negros: Chegavam de assalto e prendiam os mais jovens e mais fortes da tribo, que viviam principalmente no litoral Oeste, no Centro-oeste, Nordeste e Sul da África. Trocavam por mercadoria: espelhos, facas, bebidas, etc. Os cativos de uma tribo que fora vencida em guerras tribais ou corrompiam os chefes da tribo financiando as guerras e fazendo dos vencidos escravos. No Brasil os escravos negros chegavam por Recife e Salvador, nos séculos XVI e XVII, e no Rio de Janeiro, no século XVIII.XVIII. Os primeiros grupos que vieram para essas regiões foram os bantos; cabindos; sudaneses; iorubás; geges; hauçá; minas e minas e malês. A valorização do tráfico negreiro, fonte da riqueza colonial, custou muito caro; em quatro séculos, do XV ao XIX, a África perdeu, entre escravizados e mortos 65 a 75 milhões de pessoas, e estas constituiam uma parte selecionada da população. Arrancados de sua terra de origem, uma vida amarga e penosa esperava esses homens e mulheres na colônia: trabalho de sol a sol nas grandes fazendas de açúcar. Tanto esforço, que um africano aqui chegado durava, em média, de sete a dez anos! Em anos! Em troca de seu trabalho os negros recebiam três “pês”: Pau, Pano e Pão. E reagiam a tantos tormentos suicidando-se, evitando a reprodução, assassinando feitores, capitães-do-mato e proprietários. Em seus cultos, os escravos resistiam, resistiam, simbolicamente, à dominação. A “macumba” era, e ainda é, um ritual de liberdade, protesto, reação à opressão. As rezas, rezas, batucadas, danças e cantos eram maneiras de aliviar a asfixia da escravidão. A resistência também acontecia na fuga das fazendas e na formação dos quilombos, onde os negros tentaram reconstituir sua vida africana. Um dos maiores quilombos foi o Quilombo dos Palmares onde reinou Ganga Zumba ao lado de seu guerreiro Zumbi (protegido de Ogum). Os negros que se adaptavam mais facilmente à nova situação recebiam tarefas mais especializadas, reprodutores, caldeireiro, carpinteiros, tocheiros, trabalhador na casa grande (escravos domésticos) e outros, ganharam alforria pelos seus senhores ou pelas leis do Sexagenário, do Ventre livre e, enfim, pela Lei Áurea. A Legião de espíritos chamados “Pretos-Velhos” foi formada no Brasil, devido a esse torpe comércio do tráfico de escravos arrebanhados da África. Estes negros aos poucos conseguiram envelhecer e constituir mesmo de maneira precária uma união representativa da língua, culto aos Orixás e aos antepassados e tornaram-se um elemento de referência para os mais novos, refletindo os velhos costumes da Mãe África. Eles conseguiram preservar e até modificar, no sincretismo, sua cultura e sua religião. Idosos mesmo, poucos vieram, já que os escravagistas preferiam os jovens e fortes, tanto para resistirem ao trabalho braçal como às exemplificações com o látego. Porém, foi esta minoria o compêndio no qual os incipientes puderam ler e aprender a ciência e sabedoria milenar de seus ancestrais, tais como o conhecimento e emprego de ervas, plantas, raízes, enfim, tudo aquilo que nos dá graciosamente a mãe natureza. Mesmo contando com a religião, suas cerimônias, cânticos, esses moços logicamente não poderiam resistir à à erosão que o grande mestre, o tempo, produz sobre o invólucro carnal, como todos os mortais. Mas a mente não envelhece, apenas amadurece. Não podendo mais trabalhar duro de sol a sol, constituíram-se a nata da sociedade negra subjugada. Contudo, o peso dos anos é implacavelmente destruidor, como sempre acontece. O ato final da peça que encarnamos no vale de lágrimas que é o planeta Terra é a morte. Mas eles voltaram. A sua voltaram. A sua missão não estava ainda cumprida. Precisavam evoluir gradualmente no plano espiritual. Muitos ainda, usando seu linguajar linguajar característico, praticando os sagrados rituais do culto, utilizados desde tempos imemoriais, manifestaram-se em indivíduos previamente selecionados de acordo com a sua ascendência (linhagem), costumes, tradições e cultura. Teriam que possuir a essência intrínseca da civilização que se aprimorou após incontáveis anos de vivência.
Formação da Falange dos Pretos-Velhos na Umbanda
Depois de mortos, passaram a surgir em lugares adequados, principalmente para se manifestarem. Ao se incorporarem, trazem os Pretos-Velhos os sinais característicos das tribos a que pertenciam. Os Pretos-velhos são nossos Guias ou Protetores, mas no Candomblé, são considerados Eguns (almas desencarnadas), e e decorrente disso, só têm fio de conta (Guia) na Umbanda. Usam branco ou preto e?branco. Essas cores são usadas porque, sendo os Pretos-Velhos almas de escravos, lembram que eles só podiam andar de branco ou xadrez preto e branco, em sua maioria. Temos também a Guia de lágrima de Nossa Senhora, semente cinza com uma palha dentro. Essa Guia vem dos tempos dos cativeiros, porque era o material mais fácil de se encontrar na época dos escravos, cuja planta era encontrada em quase todos os lugares. O dia em que a Umbanda homenageia os Pretos-Velhos é 13 de maio, que é a data em que foi assinada a Lei Áurea (libertação dos escravos).
O NOMES DOS PRETOS-VELHOS
Há muita controvérsia sobre o fato de o nome do Preto-Velho ser uma miscelânea de palavras portuguesas e africanas. Voltemos ao passado, na época que cognominamos “A Idade das Trevas” no Brasil, dos feitores e senhores, senzalas e quilombos, sendo os senhores feudais brasileiros católicos ferrenhos (devido à influência portuguesa) não permitiam a seus escravos a liberdade de culto. Eram obrigados a aprender e praticar os dogmas religiosos dos amos. Porém eles seguiram a velha norma: contra a força não? há resistência, só a inteligência vence. Faziam seus rituais às ocultas, deixando que os déspotas em miniatura acreditassem estar eles doutrinados para o catolicismo, cujas cerimônias assistiam forçados. As crianças escravas recém-nascidas, na época, eram batizadas duas vezes. A primeira, ocultamente, na nação a que que pertenciam seus pais, recebendo o nome de acordo com a seita. A segunda vez, na pia batismal católica, sendo esta obrigatória e nela a criança recebia o primeiro nome dado pelo seu senhor, sendo o sobrenome sobrenome composto de cognome ganho pela Fazenda onde nascera (Ex.: Antônio da Coroa Grande), ou então da região africana de onde vieram (Ex.: Joaquim D’Angola). D’Angola). O termo “Velho”, “Vovô” e “Vovó” é para sinalizar sua experiência, pois quando pensamos em alguém mais velho, como um um vovô ou uma vovó subentendemos que essa pessoa já tenha vivido mais tempo, adquirindo assim sabedoria, paciência, compreensão. É baseado nesses fatores que as pessoas mais velhas aconselham. No mundo espiritual é bastante semelhante, a grande característica dessa linha é o conselho.? É devido a esse fator que carinhosamente dizemos que são os “Psicólogos da Umbanda”.
Eis aqui, como exemplo, o nome de alguns Pretos-Velhos:
Pai Cambinda (ou Cambina), Pai Roberto, Pai Cipriano, Pai João ,Pai Congo, Pai José D’Angola, Pai Benguela, Pai Jerônimo, Pai Francisco, Pai Guiné, Pai Joaquim, Pai Antônio, Pai Serafim, Pai Firmino D’Angola, Pai Serapião, Pai Serapião, Pai Fabrício das Almas, Pai Benedito, Pai Julião, Pai Jobim, Pai Jobá, Pai Jacó, Pai Caetano, Pai Tomaz, Pai Tomé, Pai Malaquias, Pai Dindó, Vovó Maria Conga, Vovó Manuela, Vovó Chica, Vovó Cambinda (ou Chica, Vovó Cambinda (ou Cambinda (ou Cambinda (ou Cambina), Vovó Ana, Vovó Maria Vovó Maria Maria Redonda, Vovó Catarina, Vovó Luiza, Vovó Rita, Vovó Gabriela, Vovó Quitéria, Vovó Gabriela, Vovó Quitéria, Gabriela, Vovó Quitéria, Vovó Quitéria, Quitéria, Quitéria, Vovó Mariana, Vovó Maria da Serra, Vovó Maria de Serra, Vovó Maria de Minas, Vovó Rosa da Bahia, Vovó Maria do Rosário, Rosário, Rosário, Vovó Benedita. Obs: Normalmente os Pretos-Velhos tratados por Vovô ou Vovó são mais ?velhos? do que aqueles tratados por Pai, Mãe, Tio ou Tio ou Tia).
Atribuições
Eles representam a humildade, força de vontade, a resignação, a sabedoria, o amor e a caridade. São um ponto de ponto de referência referência para todos aqueles que necessitam: curam, ensinam, educam pessoas e espíritos espíritos sem luz. Não têm raiva ou ódio pelas humilhações, atrocidades e torturas a que foram foram submetidos no passado. Com seus cachimbos, fala pausada, tranqüilidade nos gestos, eles escutam e ajudam àqueles que necessitam, independentes de sua cor, idade, sexo e de religião. São extremamente pacientes com os seus filhos e, como poucos, sabem sabem incutir-lhes os conceitos de karma e ensinar-lhes resignação Não se pode dizer que em sua totalidade esses espíritos são diretamente os mesmos Pretos-Velhos da escravidão. Pois, no Pois, no no processo cíclico da reencarnação passaram por muitas vidas anteriores foram: negros escravos, filósofos, médicos, ricos, pobres, iluminados, e outros. Mas, para ajudar aqueles que necessitam escolheram ou foram escolhidos para voltar a terra em forma incorporada de Preto-Velho. Outros, nem negros foram, mas escolheram como missão voltar nessa pseudo-forma. Outros foram até mesmo Exus, que evoluíram e tomaram as formas de um Pretos-Velhos. Este comentário pode deixar algumas pessoas, do culto e fora dele, meio confusas: “então o Preto-Velho não é um Preto-Velho, ou é, ou o que acontece???”. Esses espíritos assumem esta forma com o objetivo de manter uma perfeita comunicação com aqueles que os vão procurar em procurar em busca de ajuda. O espírito que evoluiu tem a capacidade de assumir qualquer forma, pois ele é energia viva e conduzente de luz, a forma é é apenas uma conseqüência do que eles tenham que fazer na terra. Esses espíritos podem se apresentar, por exemplo, em lugares como um médico e em outros como um Preto-Velho ou até mesmo um caboclo ou exu. Tudo isso vai de vai de acordo com o seu trabalho, sua missão. Não é uma forma de enganar ou má fé com com relação àqueles que acreditam, muito pelo acreditam, muito pelo pelo contrário, contrário, quando se conversa sinceramente, eles mesmos nos dizem quem são, caso tenham autorização. Por isso, se você for falar com um Preto-Velho, tenha humildade e saiba escutar, não queira milagres ou que ele resolva seus problemas, como em um passe de mágica, entenda que qualquer solução tem o princípio dentro de você mesmo, tenha fé, acredite em você, tenha amor a Deus e a você mesmo. Para muitos os Pretos-Velhos são conselheiros mostrando a vida e seus caminhos; para outros, são pisicólogos, amigos, confidentes, mentores espirituais; para outros, são os exorcistas que lutam com suas mirongas, banhos de ervas, pontos de fogo, pontos riscados e outros, apoiados pelos exus desfazendo trabalhos. Também combatem as forças negativas (o mal), espíritos obssessores e kiumbas.
A MENSAGEM DOS PRETOS-VELHOS
A figura do Preto-Velho é um símbolo magnífico. Ela representa o espírito de humildade, de serenidade e de de paciência que devemos ter sempre em mente para que possamos evoluir espiritualmente. Certa vez, em um centro do interior de Minas, uma senhora consultando-se com um Preto-Velho comentou que ficava muito triste ao ver no terreiro pessoas unicamente interessadas em resolver seus problemas particulares de cunho material, usando os trabalhos de Umbanda sem pensar no próximo e, só retornavam ao terreiro, quando estavam com outros problemas. O Preto-Velho deu uma baforada com seu cachimbo e respondeu tranquilamente: “Sabe filha, essas pessoas preocupadas consigo próprias, são escravas do egoísmo. Procuramos ajudá-las, resolvendo seus problemas; mas, aquelas que podem ser aproveitadas, depois de algum tempo, sem que percebam, estarão vestidas de roupa branca, descalças, fazendo parte do terreiro. Muitas pessoas vem aqui buscar lã e saem tosqueadas; acabam nos ajudando nos trabalhos de caridade”. Essa é a sabedoria dos Pretos-Velhos… Os Pretos-Velhos levam a força de Deus (Zambi) a todos que queiram aprender e encontrar uma fé. Sem ver a quem, sem julgar, ou colocando pecados. Mostrando que o amor a Deus, o respeito ao próximo e a si mesmo, o amor próprio, a próprio, a força de vontade e encarar o ciclo da reencarnação podem aliviar os sofrimentos do karma e elevar o espírito para a luz divina. Fazendo com que as pessoas entendam e encarem seus problemas e procurem suas soluções da melhor maneira possível dentro da lei do dharma e da causa e efeito. Eles aliviam o fardo espiritual de cada pessoa fazendo com que ela se fortaleça espiritualmente. Se a pessoa se fortalece e cresce consegue carregar mais comodamente o peso de seus sofrimentos. Ao passo que se ela se entrega ao sofrimento e ao desespero enfraquece e sucumbe por terra pelo peso que carrega. Então cada um pode fazer com que seu sofrimento diminua ou aumente de acordo como encare seu destino e os acontecimentos de sua vida: “Cada um colherá aquilo que plantou. Se tu plantaste vento colherás tempestade. Mas, se tu entenderes que com luta o sofrimento pode tornar-se alegria vereis que deveis tomar consciência do que foste teu passado aprendendo com teus erros e visando o crescimento e a felicidade do futuro. Não sejais egoísta, aquilo que te fores ensinado passai aos outros e aquilo que recebeste de graça, de graça tu darás. Porque só no amor, na caridade e na fé é que tu podeis podeis encontrar o teu encontrar o teu caminho interior, a luz e DEUS” (Pai Cipriano).
CARACTERISTICAS:
Irradiação
Todos os Pretos-Velhos vem na linha das Almas, mas cada um vem na irradiação de um Orixá diferente.
Fios de Contas (Guias)
Muitos dos Pretos-Velhos Gostam de Guias com Contas de Rosário de Nossa Senhora, alguns misturam favas e colocam Cruzes ou Figas feitas de Guiné ou Arruda.
Roupas
Preta e branca; carijó (xadrez preto e branco). As Pretas-Velhas às vezes usam lenços na cabeça e/ou batas; e os Pretos-Velhos às vezes usam chapéude palha.
Bebida
Café preto, vinho tinto, vinho moscatel, cachaça com mel (às vezes misturam ervas, sal, alho e outros elementos na bebida).
Dia da semana:Segunda-feira
Chakra atuante:básico ou sacro
Cor representativa:preto e branco;
Fumo:cachimbos ou cigarros de palha.
Obs:Os Pretos-Velhos às vezes usam bengalas ou cajados.
Nas sessões festivas de Pretos-Velhos, é usual servir a tradicional feijoada completa, feita de feijao preto, miúdos e carne salgada de boi, acompanhada de couve à mineira e farofa.
FONTE:http://www.assemacuritiba.com

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Um Juremeiro

Um senhor muito simpático e com vasta cabeleira branca aguardava o meu desprendimento do corpo físico no momento do sono para que eu viesse a aprender algumas preciosas lições àquela noite.
Não consigo recordar-me de haver conhecido uma pessoa que irradiasse uma energia de simpatia tão grande quanto aquele senhor. Fiquei olhando impressionado em sua direção até quando ele me disse:
— Preparado esta noite?
— O senhor me desculpe, mas preparado para que exatamente?
— Para mais um aprendizado.
— Ah, sim senhor!!!
Foi o que sinceramente respondi, mesmo sem ter ainda a mínima noção de que aprendizado seria aquele.
— Você não está com medo, está?
— Não senhor, pois à medida que o tempo vai passando e eu tenho a divina oportunidade de aprender com os senhores, eu vou adquirindo confiança ainda maior em Deus e nos vossos trabalhos.
— Então, vamos juremar?
— Juremar?
— Sim, entender um pouco sobre o nosso trabalho.
— O senhor está me dizendo que é um juremeiro, é isso?
— Não seria melhor você aprender com os próprios olhos?
— Se o senhor acha que é melhor assim seguirei vossa determinação à risca.
— Então vamos!!!
Aceitei o convite prontamente e assustei-me quando percebi que, ao invés de estarmos nos dirigindo para alguma região de mata, adentrávamos um hospital situado no plano físico; penso que este meu estranhamento deve ter se manifestado em minha face, pois foi quando eu o ouvi dizer:
— Não estranhe companheiro, pois seu aprendizado se dará aqui mesmo dentro deste hospital.
Estávamos em um grande hospital onde, obviamente, pessoas com os mais variados problemas encontravam-se internadas e eu, apesar de não entender qual tipo de aprendizado eu poderia obter com um juremereiro naquele ambiente, respondi:
— Sim senhor, estou as suas ordens!
— Então me diga: se pudesse escolher, quais pacientes você desejaria curar?
Pensei um pouquinho e respondi:
— Pacientes com problemas no aparelho circulatório!
— Pois bem. Então passemos para a ala onde estão os internos cardiopatas!
Havia quarenta quartos neste setor e nós entramos em um deles quando o juremeiro disse a mim:
— Observe!
O juremeiro, primeiramente, aproximou-se do enfermo e passou um olhar perscrutador ao longo de todo o corpo deste, depois ele abriu uma espécie de pequena sacola que estava pendurada em seu ombro e, de dentro dela, retirou com a mão direita uma espécie de gel transparente que ele usou em beneficio do chacra cardíaco do paciente; então, instantes depois, o inacreditável ocorreu: a acompanhante do enfermo foi chamar a enfermeira as pressas por que o seu esposo estava melhorando.
Eu olhei espantado para o juremeiro que, sem pestanejar, levou-me a outro quarto.
Desta vez o juremeiro escolhera uma paciente do sexo feminino só que utilizou um pouco do gel na região da fronte ao invés do coração e o médico que neste mesmo instante, no plano físico, tirava a pulsação da enferma impressionou-se pelo fato de ela ter saído do coma após sete anos.
Saímos do quarto e acho que meu olhar suplicante de esclarecimento deve ter contribuído para o juremeiro dizer-me:
— Pode falar filho!
— Meu Deus, o que o senhor fez com estes dois pacientes?
— Eu não fiz nada!!! Esta paciente que acabamos de assistir só saiu do coma por que já estava na hora dela despertar e o mesmo eu posso dizer do paciente do outro quarto que visitamos anteriormente, ou você se esquece do fato de que não cai uma única folha de uma árvore se não for da vontade de Tupã?
— O senhor tem razão, mas e este gel? O que há neste gel?
— Deus!
— Perdão?
— Quem criou o prana dos vegetais?
— Deus!
— Então penso que você me entendeu.
— Entendi sim senhor, mas que erva tão poderosa é essa que acorda até uma pessoa do coma?
— Já lhe disse que nenhum poder é maior que a vontade de Tupã e que foi Ele quem despertou a paciente do coma.
— Sim senhor, perdão!
— Não há o que perdoar, há o que se entender!!!
— Sim senhor!
— Quanto ao gel desta bolsa, o prana, ele é formado de cada energia que o paciente estiver necessitado de receber.
— Como? O senhor está me dizendo que existem pranas das mais diferentes ervas ai dentro desta pequena sacola que o senhor carrega consigo?
— Não só de plantas, mas também frutas, frutos e legumes.
— Mas então, como eu só vejo o senhor retirar sempre o mesmo gel? Como esta sacola pode conter tantos pranas diferentes se ela me parece tão pequena?
— Filho, antes de ir lhe buscar esta noite eu colhi o prana que fosse suficiente para auxiliar na cura de trinta e cinco pacientes deste hospital e que meus superiores determinaram.
— Trinta e cinco! Mas...
— ...Antes de lhe buscar eu estive neste hospital junto com outros companheiros e auxiliamos trinta e dois enfermos.
— Se o senhor tem a ordem para curar trinta e cinco enfermos, curou trinta e dois deles antes de ir me buscar e mais dois desde que aqui estou com o senhor, isto quer dizer que ainda resta mais um enfermo a ser curado!
— Exatamente!
— Será que antes de auxiliar na cura deste irmão que está faltando o senhor poderia esclarecer-me uma dúvida?
— Bem, não serei eu quem auxiliará a este irmão, mas eu posso lhe esclarecer a dúvida, pergunte!
— É que o primeiro paciente com problemas circulatórios que o senhor auxiliou eu percebi e penso que entendi porque o senhor aplicou o prana na região do chacra cardíaco, mas eu não compreendi por que na paciente que encontrava-se comatosa o senhor passou o gel no chacra frontal, ao invés de aplica-lo no cardíaco.
— Veja bem. Não é por que uma pessoa está com problemas cardíacos que o chacra cardíaco será o único a encontrar-se debilitado.
— Ah é?
— Perfeitamente. Veja o caso da paciente que se encontrava comatosa, por exemplo: descobriu que fora traída pelo marido, mas não estava querendo analisar a situação com clareza para decidir qual a melhor atitude a ser tomada. Ao contrário, colocou toda culpa dentro de si e passou a desejar secretamente a morte. Veio para este hospital realizar uma cirurgia cardíaca onde o corpo dela não reagiu bem e a forma pensamento do desejo de morte auxiliou-a a tornar-se comatosa. Após sete anos sem assumir o corpo físico e tendo a prendido muitas lições faltava o último passo para que ela saísse do coma que é uma expansão na visão sobre a vida espiritual e foi por isso que eu apliquei o prana no chacra frontal.
— Deus, é extraordinário!!! Mas...
— ...Sim?
— O senhor disse que falta o auxilio fraterno para a cura de mais um irmão enfermo e que não será o senhor quem o auxiliará; então, quem será???
— Você!
— Como?Eu?Mas eu não poderia!!!
— Por quê?
— Por que não sei fazer, posso fazer errado!
— Você já amou?
— Já! Já amei e ainda amo muito!
— Pois o teu amor irá lhe guiar, tendo em vista que uma parte do conhecimento de como proceder encontra-se dentro de ti, é só você se permitir o despertar.
— O amor vai me guiar, mas como?
— A pessoa que já se foi do plano físico e que você mais amou no mundo foi o seu pai, não é verdade?
— É sim senhor!
— Quando você era criança o seu pai teve um princípio de enfarte e décadas depois veio a desencarnar por um problema circulatório, não é verdade?
— É sim, meu Deus o senhor sabe!
— Sim e também sei que foi por isso que você escolheu, quando perguntado, o setor de pacientes com problemas circulatórios para praticar a caridade esta noite, não é verdade?
— É sim senhor!
— Diga-me: qual foi uma das lições mais importantes que você aprendeu com o seu pai?
— A dar sempre o meu melhor na realização das tarefas.
— Então, você entende como o amor lhe guiará na tarefa que lhe cabe?
Ao invés de responder deixei que minhas lágrimas falassem por mim. O juremeiro foi extremamente respeitoso e aguardou que eu serenasse as emoções. Instantes depois foi que ele disse a mim:
— Você sabe para onde devemos nos dirigir, correto?
Assenti com a cabeça que sim e caminhei com passos resolutos para o quarto de número vinte e três. Fiquei de pé ao lado direito do paciente e perguntei ao juremeiro:
— E agora, como devo proceder?
— Feche os olhos e faça uma prece a Tupã.
Rezei e, estranhamente, ao abrir os olhos eu entendia claramente o que fazer: como aprendera naquela noite que apesar de um paciente estar com problemas cardíacos o auxilio não deveria ser aplicado necessariamente ou unicamente no chacra cardíaco, então eu deveria ter uma fé muito grande para sentir onde estava o problema no paciente, tendo em vista que eu não possuo a mediunidade de ver com os olhos espirituais.
Cerrei novamente os meus olhos e passei as duas mãos, sem tocar, ao longo do corpo do paciente e comecei a sentir uma energia muito forte na região do plexo solar do irmão enfermo então, involuntariamente, veio a minha mente a imagem de saião e boldo e eu estiquei a mão direita em direção ao juremeiro que, sorrindo, abriu a sacola e despejou um pouco do prana na minha mão.
Após ter ministrado o prana no paciente nós saímos de dentro do hospital e ele me disse:
— Fale meu filho, é importante que eu lhe responda uma última pergunta antes de ir embora.
— Quando o senhor colocou o prana na minha mão eu senti o odor de saião e boldo, quando o senhor ministrou o prana nos outros dois pacientes eu senti o cheiro de outras ervas como pode ser isto?
— Eu já não lhe disse que colhi o prana de certos vegetais antes de vir lhe buscar no sono físico?
— Sim senhor, mas como estes pranas diferentes podem ficar todos misturados dentro desta sacola e serem tirados de forma específica, e não tudo misturado, quando ele vai ser ministrado a alguém em especifico? Esta sacola do senhor é mágica?
— Sim!
— Verdade?
— Sim, este embornal tem a magia do divino mistério de Jurema, a força divina contida no astral vegetal.
— Meu Deus!!!
— Filho, o amor lhe guiou pelos caminhos da fé e este juremeiro fica feliz em pedir a Tupã por todos vocês, os filhos de fé, que encham as vossas vidas do amor excelso Dele, pois só o amor perdoa e só o perdão pode fazer vocês se amarem ainda mais e clarearem os vossos caminhos na estrada que leva em direção ao Pai Criador de todas as coisas. Muitas vezes o que os olhos não vêem só o coração pode sentir, nunca se esqueça disso meu filho!!!


Mensagem de um amigo espiritual recebida por Pedro Rangel em julho do ano de 2008.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Personalismo, A Lupa do Orgulho.

O personalismo é o grande adversário da causa do amor.

Consideremo-lo em uma metáfora como a lupa do orgulho voltada na direção do eu, ampliando, exageradamente, o valor pessoal. (...)

Alguns exercícios poderão auxiliar-nos na sua identificação, o que será o primeiro passo para um programa reeducativo.

Eis uma pequena lista:

* Emitir opiniões sem fixar-se obstinadamente na idéia de serem as melhores.

* Aprender a discernir os limites entre convicção e irredutibilidade nos pontos de vista.

* Ouvir a discordância alheia acerca de nossas ações sem sentimento de perda ou melindre.

* Cultivar abnegação na apresentação dos projetos nascidos no esforço pessoal, expondo-os para análise grupal.

* Evitar difundir a "folha de serviço" das realizações pessoais já concretizadas.

* Disciplinar e enobrecer o hábito de fazer comparações.

* Acreditar que a colaboração pessoal sempre poderá ser aperfeiçoada.

* Pedir desculpas quando errar.

* Ter metas sem agigantá-las na sua importância frente às incertezas do futuro.

* Aprender a ouvir opiniões para melhor discernir.

* Admitir para si os sentimentos de mágoa e inveja.

* Ser simples.

* Ter como única expectativa nas participações individuais o desejo de aprender e ser útil.

* Esforçar-se para sair do "personalismo silencioso", o isolacionismo e a timidez.

* Delegar tarefas mesmo que acredite que o outro não dará conta de fazê-la tão bem quanto nós.

[OLIVEIRA, Wanderley S. Mereça ser feliz. Pelo Espírito Ermance Dufaux. 6. ed.
Belo Horizonte, MG: INEDE, 2004. cap XIII. p. 74 -75. ]


As principais reações e características do tipo predominantemente orgulhoso são:

1. Amor-próprio muito acentuado: contraria-se por pequenos motivos;

2. Reage explosivamente a quaisquer observações ou críticas de outrem em relação ao seu comportamento;

3. Necessita ser o centro de atenções e fazer prevalecer sempre as suas próprias idéias;

4. Não aceita a possibilidade de seus erros, mantendo-se num estado de consciência fechado ao diálogo construtivo;

5. Menospreza as idéias do próximo;

6. Ao ser elogiado por quaisquer motivos, enche-se de uma satisfação presunçosa, como que se reafirmando na sua importância pessoal;

7. Preocupa-se muito com a sua aparência exterior, seus gestos são estudados, dá demasiada importância à sua posição social e ao prestígio pessoal;

8. Acha que todos os seus circundantes (familiares e amigos) devem girar em torno de si;

9. Não admite se humilhar diante de ninguém, achando essa ati­tude um traço de fraqueza e falta de personalidade;

10. Usa da ironia e do deboche para com o próximo nas ocasiões de contendas.

E Jesus disse:


Ama a Deus, Nosso Pai — ensinava Ele —, com toda a tua alma, com todo o teu coração e com todo o teu entendimento.

Ama o próximo como a ti mesmo.

Perdoa ao companheiro quantas vezes se fizerem necessárias.

Ora pelos que te perseguem e caluniam.

Ajuda aos adversários.

Não condenes para que não sejas condenado.

A quem te pedir a capa cede igualmente a túnica.

Se alguém te solicita a jornada de mil passos, segue com ele dois mil.

Não procures o primeiro lugar nas assembléias, para que a vaidade te não tente o coração.

Bendize aquele que te amaldiçoa.

Liberta e serás libertado.

Dá e receberás.

Sê misericordioso.

Faze o bem ao que te odeia.

Resplandeça a tua luz.

Tem bom ânimo.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Ciclos

Mensagem de um irmão espiritual recebida por Pedro Rangel

Milênios de anos atrás dois irmãos encontravam-se sentados diante de uma fogueira acesa no interior de uma mata e sendo orientados por um dos mestres ancestrais do seu povo:
— Concentrem-se meus adorados pupilos, pois já é tempo de superarem este trauma em suas vidas!
— Desculpe mestre Athukan, mas eu não entendo como ficar sentado em frente ao fogo poderá nos ajudar a superar a saudade do vovô!
— Você não entende por que ainda não vivenciou Kunyã: é vivendo que se aprende!
— Perdão mestre, emendou Aluthapa, mas mesmo tendo aprendido com o senhor coisas significativas sobre a vida espiritual nos é difícil aceitar a morte de nosso avô! Sabemos que ele continua a viver, mas mesmo assim é difícil para nós!!!
— Então fechem os olhos meus aprendizes, pois eu fui incubido de vos auxiliar com algumas coisas que vocês precisam ver. Concentrem-se em suas visões e só abram os olhos quando escutarem o bater de palmas em minhas mãos.
Os dois irmãos, gêmeos idênticos de doze anos de idade, obedeceram prontamente à determinação de seu líder espiritual e somente depois de vários minutos foi que escutaram o bater de palmas e, assim, abriram os olhos.
Mestre Athukan aguardou alguns instantes e depois solicitou a Aluthapa:
— Conte-nos o que você viu meu pupilo!
— Mestre a visão foi esquisita, mas foi assim: a nossa terra estava afogando em água enquanto o meu avô, encarnado em outro corpo, escapava com os poucos de nosso povo que haviam dado atenção para os seus alertas de que isto aconteceria; na minha visão, inclusive, a nossa terra era rasgada em várias partes diferentes pelo mau uso psíquico e magístico que dávamos aos cristais.
— E qual seria a justificativa para você classificar a tua visão como “esquisita”?
— Perdão mestre, mas isto é óbvio!
— Então diga!
— O nosso povo não se utiliza de cristais!!!
— Ainda!!!
— Como?
— Aluthapa, tudo tem o seu inicio, meio e fim para que um reinicio seja possível e você será o início de um novo ciclo para o nosso povo.
— Mas, como?
— Aluthapa, você bem sabe que viemos das estrelas!
— É verdade mestre!
— Este conhecimento sobre os cristais você traz dentro de si desde quando vivíamos em nossa estrela.
— Mas como vou avivá-los em minha memória? Quem será o meu iniciador?
— O espírito que você chama de avô. Saiba que o ciclo para o qual ele preparou o nosso povo, há muito tempo, chegará ao fim e você, quando for à hora certa, iniciará a nossa gente no último ciclo que eles viverão aqui nessa terra.
— Mas, mestre eu tenho medo!
— Não tema Aluthapa, pois um fruto só despenca naturalmente de uma árvore quando está pronto para ser utilizado como sustento ao próximo; mas, conte-me o motivo de seu temor!
— É que se eu iniciarei o nosso povo no uso dos cristais e se ele se destruirá justamente pelo mau uso destes, então eu serei responsabilizado por esta destruição.
— Aluthapa, para que o fogo foi criado?
— Para nos guardar do frio.
— Mas e se alguém quiser utilizá-lo para a destruição?
— Acho que entendo aonde quer chegar mestre: tudo que o Divino Criador gerou Ele o fez para o nosso bem, mas se alguém quiser utilizar-se do fogo criado por Ele para fazer o mal à culpa não será Dele e nem daquele que primeiro conseguiu manipular este elemento, mas tão somente da pessoa que perverteu o seu uso divino.
— Muito bem meu kerrish*, creio que você percebeu que o mesmo exemplo do fogo aplica-se em tudo gerado pelo Divino Criador, incluindo os cristais, certo?
— Certamente mestre, mas em quantos anos isto acontecerá?
— Anos? Mas podem ser muitas décadas ou também muitos séculos, não é verdade?
— É verdade mestre, o nosso tempo cronológico não é parâmetro para a passagem do tempo presente em vosso plano!
— Só o que posso lhe dizer é que tudo acontecerá na hora exata, certo?
— Certo mestre!
— Mas e você Kunyã? Diga-nos o que você enxergou em sua visão!
— Mestre, a minha visão não foi menos estranha que a de Aluthapa; aliás, parece que a minha visão completa a dele por que eu vi que estava em um outro corpo, junto com o meu avô, como um daqueles poucos que deram atenção às suas advertências de que nossa terra seria submergida pelas águas do mar. Após este grande cataclismo nós andamos por tempos infindáveis até encontrarmos uma nova terra para o nosso povo.
— E qual foi o motivo do estranhamento em sua visão?
— É que com o passar do tempo a estrutura corporal do nosso povo mudou bastante, sendo nossa pele muito, mas muito avermelhada.
— Na realidade não há motivos para estranhamento Kunyã, pois quando o ciclo do nosso povo iniciado por Aluthapa chegar ao fim, o que ainda levará décadas de séculos, você iniciará com eles um novo ciclo em uma nova terra.
— Mestre é incrível!!!
— Um dia este ciclo iniciado por você também chegará ao fim para que um outro ciclo possa ser iniciado.
— Verdade?
— Certamente. Quando o ciclo iniciado por você chegar ao fim muitos pensarão que o nosso povo foi extinto, mas isto não será verdade: eles só terão retornado para o seio de nossa estrela, isto é, aqueles que não ficarem presos à prática do mal a cada novo corpo de carne que receberem, pois estes continuarão na carne até que expiem suas práticas nefastas e seus remorsos conscienciais.
— Nossa mestre!!!
— Não há do que se espantar meu kerrish. Uma gota de água quando está no estado físico de vapor juntamente de suas irmãs formando uma nuvem muitas vezes não quer descer da seguridade do firmamento para caírem na terra, você entende?
— Sim senhor.
— Muitas morrem de medo de caírem e se sujarem na terra, outras de caírem no mar e tornarem-se salobras.
Os discípulos sorriam com a estória de Athukan e este continuou a contá-la:
— Já outras gotinhas da nuvem muito abnegadamente esquecem de si e procuram descer ao solo com um sorriso de satisfação no seu rosto molhado justamente por saberem da sua importância na continuidade da existência da água no planeta e que se explica por um fenômeno conhecido como ciclo da água.
— Maravilhoso mestre!
— Na verdade Kunyã maravilhosa mesmo é a sabedoria do Divino Criador que faz o mundo evoluir independente da vontade de suas criaturas que nele habitam. Evolução é mudança meus discípulos e a vida há que estar sempre mudando para que possa evoluir!!! A gota que não quer despencar dos céus desce das nuvens a despeito deste fato e descobre novas formas de existir e estar no mundo aprendendo, por exemplo, que tornar-se salgada por cair no mar não é só pesar ao sentir também a delícia que é ter todo o seu corpo mais leve devido à salinidade do mar, não é verdade?
— Sim mestre!
— E não tenham dúvida que esta mesma gotinha d’água quando tiver voltado a ser nuvem não terá mais medo de despencar dos céus e cair no mar outra vez e por que isto aconteceu? Por que o mundo evolui independente da vontade de seus habitantes ou, no caso da gotinha, por que o fenômeno da chuva ocorre independente da vontade da água.
— Incrível mestre!
— E assim como acontece com uma gota de água isto também ocorre em toda a criação divina e você, seu irmão, seu povo e seu avô não poderiam se furtar ao processo da evolução que a sabedoria infinita do Divino Criador fez para existir em ciclos, onde o fim de um não elimina o anterior, mas o aperfeiçoa.
— É verdade mestre!
— Na natureza as criaturas irracionais respeitam e obedecem à determinação cíclica da vida ofertada pelo Divino Criador; já o ser humano, devido ao mau uso da racionalidade, muitas vezes se rebela contra os ciclos da vida e muita dor proporciona aos seus
semelhantes.— E, a esta observação, os pupilos de Athukan responderam em uníssono:
— É verdade mestre!
— Nunca se esqueçam meus queridos aprendizes de que viemos banidos das estrelas principalmente por não aceitarmos a evolução natural e cíclica da vida e, com isto, tentarmos burlar a divina Lei da reencarnação.
— Nós não esquecemos mestre Athukan!!!
— Então porque estavam a tanto lamentar a perda do avô de vocês antes de terem as vossas visões? Não pensem vocês que eu não entendo o estreito laço entre vós e o espírito que chamam de avô, pois eu bem sei que ele se perde no tempo ao longo das inúmeras reencarnações que vocês já tiveram juntos; mas se eu vos falo com esta severidade é por que bem sei quanto o inconformismo pode avolumar-se até transformar-se em rebeldia e destruição, vocês me entenderam?
— Sim mestre Athukan!
— Então fechem novamente os olhos e concentrem-se, pois neste exato momento um ciclo diário da vida de vocês precisa chegar ao fim para que um outro possa ser iniciado.
Com os olhos arregalados e assustados os irmãos perguntaram a Athukan em uma só voz:
— Mestre, o senhor está dizendo que vamos desencarnar já?
Esboçando um sorriso incontido na face, o mestre respondeu aos seus discípulos:
— Não estou falando de desencarne e sim do ciclo do sono físico de vocês que está pertíssimo do fim.
Tanto Kunyã quanto Aluthapa, sentindo-se aliviados com aquela resposta, responderam simultaneamente:
— Graças ao Divino Criador!!!
— Entendam que quando vocês despertarem se esquecerão de quase tudo que hoje foi vivenciado, mas viverão bem com as emoções que forem provocadas no corpo físico ocasionadas pela saudade do avô de vocês devido, tanto ao esclarecimento obtido quanto pelo fato de seus corpos astrais terem sido banhados com a energia equilibradora do fogo.
— Obrigado por tudo mestre!
— Não me agradeçam meus Kerrish e fechem os olhos para que possam despertar!
— Sim senhor!!!
— Fiquem na paz!!!
— Estejamos todos na paz mestre!!!

* KERRISH = o mesmo que discípulo, aprendiz, aluno, etc.

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