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quinta-feira, 3 de novembro de 2011

A Importância dos Cambonos na Umbanda


O cambono (Cambone), na verdade, é um médium em desenvolvimento ou que não incorpora.

O seu trabalho dentro do Templo é tão importante quanto o dos demais médiuns e, mesmo sem estar incorporado, ele é parte integrante de todo o trabalho espiritual, pois os Guias Espirituais se utilizam dele para retirar as energias que serão utilizadas no atendimento aos consulentes.

Muitas vezes, um Guia Espiritual tem dificuldades de adentrar no íntimo do consulente devido à densidade energética presente na pessoa e lança mão da presença do cambono e, através deste, fazendo como que “uma ponte”, consegue auscultar o íntimo da pessoa.

O cambono, antes de qualquer coisa, é pessoa de extrema confiança do Pai ou Mãe da casa, assim como da entidade que estiver atendendo; portanto, caso perceba qualquer coisa estranha, qualquer coisa que não faça parte dos procedimentos normais, deve reportar-se ao Guia-chefe ou ao Pai ou Mãe da casa na mesma hora.

É por isso que é tão importante, e necessário, que o cambono saiba todos os procedimentos de trabalho e todas as normas da conduta que entidades e médiuns devem ter dentro do Templo.

O fato de auxiliar nas consultas exige que o cambono seja discreto e mantenha sigilo sobre tudo o que ouvir, não se esquecendo de que ali estão sendo tratados assuntos particulares e que não dizem respeito a ninguém além da pessoa que estiver sendo atendida e da entidade.

O sigilo é um juramento de confiança que todos os cambonos devem ter e fazer.

O QUE É SER UM CAMBONO
Os Cambonos são médiuns de sustentação, e são tão importantes quanto os médiuns ostensivos (de incorporação mediúnica) nos trabalhos de uma Casa Umbandista; eles também devem seguir certos procedimentos e ter a mesma dedicação e responsabilidade.

O Cambono, médium de sustentação, é aquele trabalhador, com mediunidade ostensiva ou não, que está presente ao trabalho, mas que não participa diretamente do fenômeno nem dos procedimentos de incorporação mediúnica para atendimentos.
Como o próprio nome diz, embora não esteja envolvido diretamente no fenômeno ou na assistência, faz a sustentação energética do trabalho, mantendo o padrão vibratório elevado por meio de pensamentos e sentimentos elevados.

Ao contrário do que se pensa, os médiuns cambonos de sustentação são tão importantes quanto os médiuns de incorporação, pois são eles que ajudam a garantir segurança, firmeza e proteção para o grupo e para o trabalho, enquanto os médiuns de atendimento fazem a sua parte e desenvolvem o trabalho assistencial.

REQUISITOS IMPORTANTES PARA SER UM BOM CAMBONO:

Responsabilidade
- O cambono precisa conhecer a mediunidade e tudo o que diz respeito ao trabalho com a espiritualidade.

Firmeza mental e emocional
- É responsável pela manutenção do padrão vibratório durante o trabalho. O cambono deve ter grande firmeza de pensamento e sentimento a fim de evitar desequilíbrios emocionais e espirituais que poderiam pôr a perder a segurança do trabalho.

Equilíbrio vibratório
- Como trabalha principalmente com energias que movimenta com os seus pensamentos e sentimentos o cambono, deve ter um padrão vibratório médio elevado, a fim de poder se manter equilibrado em qualquer situação e poder ajudar o grupo quando necessário.

Ausência de preconceito
- O cambono não pode ter qualquer tipo de preconceito. Ele não está ali para julgar ou criticar os casos que tem a oportunidade de observar, mas para colaborar para que sejam solucionados da melhor forma, de acordo com a sabedoria e a justiça de Deus.

Discrição
- O cambono nunca deve relatar ou comentar, dentro ou fora da casa, as informações que ouve, os problemas dos quais fica sabendo e os casos que vê nos trabalhos de que participa.

CONCLUSÃO
Como vimos, não é tão fácil ser um cambono. Para ser um, é preciso aprender tudo sobre os Orixás, os Guias Espirituais, o Templo e, principalmente, sobre a conduta que deve adotar durante as giras e por toda a sua vida.


Fonte: Trecho extraído do livro: O ABC do Servidor Umbandista Pai Juruá – No Prelo

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Olhos do Coração


Jesus Cristo e São Tomé

O corpo de Jorgerepousava em seu leito em um sono dos mais profundos e foi quando o seuespírito libertou-se parcialmente do invólucro carnal que ele recebeu umavisita inusitada: um homem alto, com barba branca, rala e olhar sereno oaguardava de braços cruzados.

Fazia pouco menos de umano que Jorge entrara na corrente mediúnica de um terreiro de Umbanda ondeatuava como cambone. Apesar de amar a Umbanda e os trabalhos das entidades ele,devido ao seu gênio cético, sentia-se pouco à vontade para participar detrabalhos envolvendo obsessores.

A cada trabalho destegênero que acontecia no terreiro ele observava atentamente a tarefa dosdoutrinadores e das entidades junto a estes irmãos necessitados sendo que umadúvida raramente saia de sua cabeça: “Será que tudo isto que vejo é realmenteverdade?”.

Quando esta dúvidatornava-se por demais exacerbada em alguma gira o Caboclo a quem ele cambonavadizia-lhe:

— Firmeza no ponto filho!Firmeza nos trabalhos!

Daí então ele procuravaafastar as dúvidas e concentrar-se nas orações, mas ao sair do terreiro, aostérminos das reuniões, ele invariavelmente dizia aos seus irmãos de fé em tomjocoso: sou discípulo de São Tomé!

Caboclo Rompe Mato era aentidade a quem Jorge cambonava e que ali, dentro daquele terreiro, tinha a incumbênciade comandar as rodas de descarrego.

Ele observava o sentimento crescente de dúvida em seu cambone a cada reuniãoaté que em uma gira a entidade pediu a ele que assentasse no banco dispostoonde aconteciam os trabalhos especiais de descarrego e em que chegavam, quandonecessário, espíritos obsessores e sofredores.

Jorge já se dirigia aobanco determinado pelo Caboclo quando ainda tentou argumentar com a entidade:

— “Seu” Rompe Mato, euestou super-bem na minha vida pessoal, familiar, nos estudos, no trabalho e nãosabia que estava com problemas junto a espíritos obsessores e sofredores!

Fio, não vamosser pejorativos com o sofrimento alheio, chamemos o espírito que aqui semanifestará a implorar perdão como: irmão.

Jorge estava, de fato,sentindo-se muito bem e não entendia o porquê da realização daquele trabalho,entretanto em tom respeitoso ele respondeu à entidade:

— Sim senhor.

— Procure não usar muitoo intelecto; ao invés disto sinta o amor divino em seu coração e procure ofertá-loao irmão que aqui se manifestará tão necessitado do seu perdão. Estamoscombinados?

— Sim senhor!

Jorge respondera ao Caboclosem entender o porquê da ênfase que ele dera a necessidade de perdão por partede seu cambone por que sendo Jorge uma pessoa que não era rancorosa então elenão haveria de ter dificuldades em conceder o perdão a qualquer espírito quelhe solicitasse isto.

Mesmo sentindo-se umdiscípulo de São Tomé, Jorge sentou-se no banco e em poucos minutos um espíritosofredor manifestou-se em um médium que não era o mesmo que cedia o corpofísico para a manifestação do Caboclo Rompe Mato.

O sofrimento do espírito era imenso e muitas lágrimas eram vertidas enquantoele pedia perdão a Jorge:

— Perdão! Perdoe-meErnesto! Hoje sei que o que eu fiz foi errado, mas na época eu julgava que eraamor! Perdão pelo amor de Deus!

Jorge não conseguiaentender nada do que acontecia, pois desde a manifestação deste espírito, nomédium de nome Carlos, um ódio inexplicável brotou do seu coração em relação aoreferido sofredor.

Não suportando acuriosidade e já começando a pensar que estava enlouquecendo Jorge abriu osolhos e olhou para o espírito manifestado em Carlos, mas só que eleestranhamente não conseguia ver o médium apenas o espírito incorporado; foiquando o Caboclo Rompe Mato determinou-lhe:

— Feche os olhos fio!Abra somente o teu coração e procure fazer o que combinamos!

— Sim senhor!

O espírito berrava comtodo o seu sofrer:

— Olhe pra mim Ernesto!Perdoe-me, daqui eu vejo que Renilda, nossa companheira de outrora, está devolta ao seu lado! Você não precisa continuar a odiar-me! Perdoe-me!

Enquanto tudo istoacontecia o Caboclo Rompe Mato estendeu a destra na direção do chacra cardíacode Jorge irradiando energias que funcionavam como um bálsamo nas emoções de seucambone.

Foi somente assim queJorge conseguiu respirar melhor, abrandar as emoções, abrir novamente os olhose balbuciar para o espírito manifestado em Carlos:

— Eu te perdôo! Vá empaz!

O espírito, assim,virou-se em direção ao Caboclo e perguntou:

— E então, falta poucopara eu ser livre?

— Sim meu irmão, em brevevocê será liberto.

— Obrigado, obrigado,obrigado!!!

Foi o que respondeu oespírito em questão antes de desincorporar.

A gira, então, prosseguiunormalmente até o seu término.

Os médiuns despediram-secom abraços fraternais antes de retornarem para os seus lares.

Jorge chegou a sua casae, enquanto tomava um banho, encontrava-se deveras impressionado com o que lheocorrera na gira, mas a fome era ainda maior que sua curiosidade e ele procurounão demorar-se para lanchar. Após uma leve refeição um sono pesadíssimo oacometeu e ele foi preparar-se para deitar.

Somente quando o sono chegou foi que o seu espírito, então semi-liberto docorpo carnal, reparou na visita que recebia em seu quarto: era um homem alto,com barba branca, rala e de olhos amorosamente serenos que o aguardava debraços cruzados.

Jorge fitava os profundosolhos azuis deste homem quando este lhe disse:

— E então, vamos?

— Você desculpe-me, masvamos aonde se eu nem mesmo lhe conheço?

— Seus olhos podem não mereconhecer, mas o seu coração sim. Feche os seus olhos e sinta quem eu sou!

Jorge fechou os olhos eentão o homem estendeu sua destra na direção do chacra cardíaco dele enviandoondas de energia que subiam em direção ao chacra frontal, na direção do“terceiro olho”, como se estivesse a estimulá-lo.

Então, tomado porincontida emoção, foi que Jorge ajoelhou-se respeitosamente e disse ao homem:

— Meu coração o reconhecee saúda senhor Caboclo Rompe Mato!

— Deixe de formalidadesmeu filho! Faça como o de costume em dia de gira: chame a mim de “Seu” Rompe Mato.

— Sim senhor!

— E então? Vamos?

— O senhor me desculpe“Seu” Rompe Mato, mas vamos aonde?

— Ora não é você que vivedizendo aos seus irmãos de fé que é discípulo de São Tomé?

Visivelmente encabuladoJorge respondeu:

— Sim senhor!

— E você não gostaria dever para crer se o seu perdão efetivamente serviu para auxiliar na libertaçãodo espírito que se manifestou a pedi-lo calorosamente na gira?

— Gostaria de ver, masnão para crer, apenas para auxiliar.

— E por que não?

— Por que na última giraeu aprendi a ver pelos olhos do coração.
— Bela resposta meu filho, demonstra sabedoria.

— Na verdade eu não seise conseguiria perdoar aquele irmão se o senhor não tivesse me doado um poucoda sua energia.

— Mas não foi a minhaenergia que o fez perdoar!

— Não!

— Não. A minha energia sóclareou os caminhos para que você pudesse enxergar a luz do perdão divino queexiste não só dentro de ti, mas de cada ser humano.

— Entendo.

— Usando um dos meusatributos eu enviei-lhe uma energia rompedora que o auxiliou a rompertristezas, mágoas e ressentimentos que estavam a obstruir o teu acesso aocaminho do perdão.

— Puxa que lindo!!!

— E então vamos?

— Estou as suas ordens!

E Jorge, acompanhado do CabocloRompe Mato, foi até a região umbralina interligada ao espírito que semanifestara na gira do terreiro a suplicar o perdão dele.

Havia uma espécie decomplexo prisional e eles pararam em frente à cela onde se encontrava oreferido espírito, mas este não conseguia vê-los. Foi então que a entidadedisse a Jorge:

— Vou densificar o seucorpo astral para que o irmão encarcerado possa vê-lo. Não procure dialogar comele, apenas abra as grades e liberte-o!

— Sim senhor!

Jorge, assim, tornou-sevisível ao espírito que, fortemente emocionado, bradou:

— Ernesto! Graças a Deus!Louvado seja Deus! Vejo que de fato você me perdoou! Saiba que muitos seofereceram para abrir este portão, mas eu tinha que recusar! Eu só poderia sairdaqui e ser um homem realmente livre se o meu leal amigo de outrora julgasseque eu merecesse ser liberto por meio do seu perdão e você veio, você veio!Louvado seja Deus!

Jorge percebeu que oportão não possuía tranca alguma e então o empurrou para que a cela fosseaberta.

O Caboclo pedira-lhe quenão travasse nenhum dialogo com o espírito encarcerado e olhar para aquele sermaltrapilho e que exalava odores fétidos era terrível para Jorge, mas foiprocurando manifestar a essência divina do amor e do perdão que haviaencontrado dentro de si que Jorge abriu amorosamente os braços e, procurandovencer a náusea, disse para o ex-encarcerado:

— Venha meu irmão,abraça-me!

Saindo de dentro da celaagradecendo a Deus pelo tamanho infinito de Sua misericórdia o espíritocaminhou com passos inseguros em direção a Jorge e encaixou-se perfeitamentenos seus braços que se apertaram em torno dele com uma força de sinceridade tãopungente que acabaram levando ambos a copiosas lágrimas.

Após alguns instanteseles se soltaram e o espírito foi para uma zona de refazimentoenergético-espiritual acompanhado por um espírito que ele chamava amorosamentede “mãe”.

O Caboclo, então, levouJorge de volta a sua residência após aplicar-lhe uma descarga energéticadesagregadora de fluidos perniciosos.

Após estes procedimentosJorge resolveu perguntar a entidade:

— “Seu” Rompe Mato osenhor permitiu que eu tivesse esta experiência só por que muitas vezes euduvidava se aqueles obsessores e sofredores realmente estavam manifestados nosmédiuns que lhes cediam o corpo e a mente nas giras do terreiro?

— “Só” filho? Você diz“só”? Por que você se julga tão pouco assim meu filho?

— Hein? Desculpe-me, mascomo?

— Filho, entenda que umapirâmide não prescinde da menor de suas pedras, que uma corrente jamais será amesma se um dos seus elos se partir e que, portanto, a força mental, adedicação, o carinho e a prece de cada filho de fé é imprescindível para que acaridade possa ser praticada no andamento de uma gira, está entendendo?

— Sim senhor!

— Em uma gira você não émais e nem menos importante que qualquer irmão de fé ou entidade: você é tãoimportante quanto! O próprio mestre Jesus foi quem disse isto só que nessaspalavras: “Vos sois deuses, se tiverdes fé fareis coisas mais fantásticas das queeu fiz”; então, quem é este Caboclo para desmentir o mestre eterno e amado?

— Entendo.

— Mas a experiência destanoite não aconteceu somente por este motivo, mas também para acabar com quasedois séculos de culpa, dor e sofrimento, certo?

— Sim senhor!

— Então vá meu filho!Retorne ao seu vaso corpóreo por que já é dia e o sol que está nascendo vem adespertar-lhe para os seus compromissos enquanto espírito encarnado!

— Sim senhor!

— Salve Deus!

           — Para sempre Seja Louvado! 


         Autor Desconhecido.
        
        
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