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sexta-feira, 24 de junho de 2011

Hoje é dia de São João Batista - Saravá Xangô!!!


Origem e História

Nem seria preciso falar do poder de Xangô (Sòngó), porque o poder é sua síntese. Xangô nasce do poder morre em nome do poder. Rei absoluto, forte, imbatível: um déspota. O prazer de Xangô é o poder. Xangô manda nos poderosos, manda em seu reino e nos reinos vizinhos. Xangô é rei entre todos os reis. Não existe uma hierarquia entre os orixás, nenhum possui mais axé que o outro, apenas Oxalá, que representa o patriarca da religião e é o orixá mais velho, goza de certa primazia. Contudo, se preciso fosse escolher um orixá todo-poderoso, quem, senão Xangô para assumir esse papel?
Xangô gosta dos desafios, que não raras vezes aparecem nas saudações que lhe fazem seus devotos na África. Porém o desafio é feito sempre para ratificar o poder de Xangô.
A maneira como todos devem se referir a Xangô já expressa o seu poder. Procure imaginar um elefante, mas um Elefante-de-olhos-tão-grandes-quanto-potes-de-boca-larga: esse é Xangô e, se o corpo do animal segue a proporção dos olhos, Xangô realmente é o Elefante-que-manda-na-savana, imponente, poderoso.
Percebe-se que a imagem de poder está sempre associada a Xangô. O poder real, por exemplo, lhe é devido por ter se tornado o quarto alafim de Òyó, que era considerada a capital política dos iorubas, a cidade mais importante da Nigéria. Xangô destronou o próprio meio-irmão Dadá-Ajaká com um golpe militar. A personalidade pacienciosa e tolerante do irmão irritavam Xangô e, certamente, o povo de Òyó, que o apoiou para que ele se tornasse o seu grande rei, até hoje lembrado.
O trono de Òyó já pertencia a Xangô por direito, pois seu pai, Oranian, foi fundador da cidade e de sua dinastia. Ele só fez apressar a sua ascensão. Xangô é o rei que não aceita contestação, todos sabem de seus méritos e reconhecem que seu poder, antes de ser conquistado pela opressão, pela força, é merecido. Xangô foi o grande alafim de Òyo porque soube inspirar credibilidade aos seus súditos, tomou as decisões mais acertadas e sábias e, sobretudo, demonstrou a sua capacidade para o comando, persuadindo a todos não só por seu poder repressivo como por seu senso de justiça muito apurado.
Não erram, como se viu, os que dizem que Xangô exerce o poder de uma forma ditatorial, que faz uso da força e da repressão para manter a autoridade. Sabe-se, no entanto, que nenhuma ditadura ou regime despótico mantém-se por muito tempo se não houver respaldo popular. Em outros termos, o déspota reflete a imagem de seu povo, e este ama o seu senhor, seja porque nos momentos de tensão responde com eficiência, seja por assumir a postura de um pai. No caso de Xangô, sua retidão e honestidade superam o seu caráter arbitrário; suas medidas, embora impostas, são sempre justas e por isso ele é, acima de tudo, um rei amado, pois é repressor por seu estilo, não por maldade.
Fato é que não se pode falar de Xangô sem falar de poder. Ele expressa autoridade dos grandes governantes, mas também detém o poder mágico, já que domina o mais perigoso de todos os elementos da natureza: o fogo. O poder mágico de Xangô reside no raio, no fogo que corta o céu, que destrói na Terra, mas que transforma, que protege, que ilumina o caminho. O fogo é a grande arma de Xangô, com a qual castiga aqueles que não honram seu nome. Por meio do raio ele atinge a casa do próprio malfeitor.
Xangô é bastante cultuado na região de Tapá ou Nupê, que, segundo algumas versões históricas, seria terra de origem de sua família materna.
Tudo que se relaciona com Xangô lembra realeza, as suas vestes, a sua riqueza, a sua forma de gerir o poder. A cor vermelha, por exemplo, sempre esteve ligada à nobreza, só os grandes reis pisavam sobre o tapete vermelho, e Xangô pisa sobre o fogo, o vermelho original, o seu tapete.
Xangô sempre foi um homem bonito extremamente vaidoso, por isso conquistou todas a mulheres que quis, e, afinal, o que seria um ‘olhar de fogo’senão um olhar de desejo ardente? Quem resiste ao olhar de flerte de Xangô?
Xangô era um amante irresistível e por isso foi disputado por três mulheres. Iansã foi sua primeira esposa e a única que o acompanhou em sua saída estratégica da vida. È com ela que divide o domínio sobre o fogo.
Oxum foi à segunda esposa de Xangô e a mais amada. Apenas por Oxum, Xangô perdeu a cabeça, só por ela chorou.
A terceira esposa de Xangô foi Oba, que amou e não foi amada. Oba abdicou de sua vida para viver por Xangô, foi capaz de mutilar o seu corpo por amor o seu rei.
Xangô decide sobre a vida de todos, mas sobre a sua vida (e sua morte) só ele tem o direito de decidir. Ele é mais poderoso que a morte, razão pela qual passou a ser o seu anti-símbolo.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Vibração de Xangô

De acordo com o Panteão Umbandista é o Orixá da Justiça, o Rei de Oyó, aquele que é justo e julga de acordo com as atitudes e crimes cometidos, seu dia é a quarta-feira e em muitas casas, sua cor é o marrom. 

Em muitas casas é considerado o Orixá das cachoeiras, das pedreiras, o Orixá dos raios e trovões, dentro de uma analogia, assemelha-se muito a Zeus, o Deus mitológico dos gregos, o Senhor do Olimpo.

Xangô é o Orixá que possui mais sincretismos, entre a falange de Xangô, temos Alafin, Agodô, Kaô, do Oriente, entre outros, dos quais seu sincretismo segue respectivamente como São Pedro, São Judas, São Jerônimo e São João Batista. Mas essas qualidades e seus respectivos sincretismos variam de casa, e não convém entrar em maiores detalhes aqui.

Geralmente em suas incorporações, atuam com as mãos fechadas, segurando o machado e simbolizando a rocha, que é o símbolo da firmeza e coesão da energia de Xangô.

Talvez muito do que foi falado acima, todos já sabem, tentei resumir um pouco o que denota esse Orixá, mas dentro do meu ponto de vista, explicarei um pouco mais o que para mim é a energia Xangô.

Eu considero Orixás uma vibração, dentro desse contexto, Xangô é a Justiça Cármica, é o desprendimento Divino da Justiça, daquele que Julga, que está acima do Bem e do Mal. É a Grande Lei Cósmica da qual estamos todos envolvidos, a Causa e o Efeito, a Ação e a Reação.

A Energia de Xangô é a Corrente da Verdade, da Justiça e da Lei, então, a vibração de Xangô é aquela que nos impulsiona para a verdade, que nos auxilia a julgar nossas atitudes, é aquela vibração que nos ajuda a enxergar a Luz da Verdade, a Luz da Certeza. Quando estamos mediante uma situação que exige um pouco de nossa Consciência, e a partir dali conseguimos discernir o correto do incorreto, é a Vibração de Xangô que está atuando, que está nos auxiliando a julgar o certo do errado.

A falange de Xangô é uma falange muito vasta, muitas entidades do Oriente, Preto-Velhos e crianças atuam sobre essa égide, geralmente são entidades que trazem muita sabedoria e são sérias, dificilmente uma entidade sob a Vibração de Xangô costuma brincar ou fazer piadas, é uma falange de entidades que possuem grande sabedoria e de muitas ciências que se perderam com o tempo.

Os caboclos que atuam sob essa vibração, não fogem muito da regra, são sábios, austeros e destemidos, dificilmente falam em seus trabalhos, atuam muito na cura, em trabalhos de limpeza e desenvolvimento de médiuns, e o interessante, é que a grande maioria das entidades que atuam na vibração de Xangô atua tanto na direita tanto na esquerda, grosso modo, a Justiça deve existir, por bem ou por mal. Algumas entidades de Xangô são:

Caboclo do Sol e da Lua, Treme-Terra, Gira-Mundo, Cachoeira, Sete Luas, Quenguelê, Rei Congo, Girassol, Mata Virgem, entre outros. Podem perceber que geralmente as entidades de Xangô trazem nomes como astros, locais naturais como cachoeiras, matas, etc.

Dentre as Vibrações de Xangô, existe uma muito peculiar que a Vibração de Xangô Alafin, os espíritos sob essa vibração, apresentam-se com os mais velhos da falange de Xangô, ele atua sob duas vibrações, a vibração própria de Xangô e a vibração de Oxalá, ou seja, é um Orixá que traz consigo a Justiça e a vibração de Oxalá que é a Pureza, a Paz de Espírito.

Xangô é aquela força que nos impulsiona, nos motiva a fazer as coisas certas e nos ajuda a discernir o erro do acerto, é uma vibração que tem como elemento o fogo, a força dos trovões, e a própria pedra.

Os animais de Xangô geralmente são os felinos, mas a tartaruga também está entre os animais devido à sabedoria, a longevidade de sua vida e a proteção existente em seu casco, Xangô também atua no intelecto do médium, o impulsiona a buscar novos conhecimentos, motiva-o a ampliar sua sabedoria. A energia de Xangô é a Vida, o Ser Existente. Ele também é chamado de Dirigente das Almas por algumas liturgias de Umbanda Esotérica.

Não acho interessante especificar a cor, dia da semana, sincretismo, oferendas, entre outros fundamentos que são peculiares de cada casa, isso é de acordo com o culto e a crença do sacerdote que a dirige, costumo me limitar apenas no fundamento do qual o Orixá representa através de meus estudos e ensinamentos.

Namastê!


Por: Neófito da Luz
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