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quarta-feira, 28 de março de 2012

A FALANGE DAS CRIANÇAS

A Falange das crianças é talvez uma das mais incompreendidas da Umbanda.

Apesar de se apresentarem com roupagem fluídica de criança, trazem destes somente a pureza e alegria contagiante. Na verdade são os grandes magos do universo. foram grandes Sacerdotes quando de suas encarnações na Terra.

Como a entidade não possui um corpo astral, ela precisa forjar esse corpo para o processo de incorporação.
Assim ela busca na matéria do corpo astral o material que necessita para esse processo. realiza este intricado passo retirando do próprio médium matéria astral, bem como vai buscar em seus corpos astrais de uma das suas ultimas encarnações o fluido de que necessita para o processo de incorporação.

Desta forma passamos a entender o porquê dessas entidades se apresentarem na forma como crianças. Escolheram essa forma por representar melhor a energia que elas manipulam, ou melhor que elas emitem. Criança significa alegria e pureza, qualidades fundamentais para quem quer que deseje galgar na alta espiritualidade. Mas, muita dessas entidades tiveram sua última encarnação interrompida ainda na fase criança (a grande maioria).

Por outro lado, no processo de incorporação, a energia desta falange, normalmente penetra em grande parte pelo chacra laríngeo, fazendo com que o médium modifique a voz, afinando-a. Além disso, também durante o processo de incorporação, acontece um fato bastante peculiar a esta falange.

Normalmente durante a incorporação, a energia da entidade penetra por um dado chacra particular, resultando em um processo bem definido de incorporação. no caso da falange das crianças o processo é diferente.
A energia como vimos também penetra por um dado chacra, mas aqui ela vai sofrer um processo de espalhamento por todos os Chacras do corpo, fazendo com que o médium fique saltitando, não conseguindo parar em um ponto.

Aliando-se os dois fatos: a modificação da voz com a inquietação do médium, temos como resultado, a manifestação de crianças na forma de como as entendemos.
E daí resulta toda a má interpretação que diversos médiuns, infelizmente dão a esta poderosíssima falange. entendem-se como criancinhas despreparadas, infantis, choronas, brigonas às vezes, indolentes, simplórias em seus trabalhos e, o que é pior, comilonas e bagunceiras.

Percebemos, assim, que lhes são atribuídas todas as qualidades negativas das crianças de nosso mundo.
Mas não é nada disto que realmente ocorre.

As crianças fazem parte de uma falange, talvez a mais poderosa de todas. Não possuem aquelas qualidades negativas que lhes são atribuídas.

Nenhuma criança é comilona.
Seria impossível, do ponto de vista do processo de incorporação, um médium comer compulsivamente como muitas vezes é visto.

Quando da incorporação principalmente das crianças ocorre um fechamento da glote, não permitindo que sejam ingeridas grandes quantidades de comida e doces como muitas vezes é visto.

Somente pequenas quantidades de doces podem ser ingeridas, até porque o doce contribui para o equilíbrio energético do aparelho, pois é transformado imediatamente em glicose, caindo na corrente sanguínea e mantendo desta forma a integridade do médium.

Assim, vemos que os líquidos têm mais facilidade que os doces sólidos neste processo.
Logo, o que vemos na maioria dos templos dedicados a Umbanda, são médiuns com fome e com sede.
Mas tudo é uma questão de equilíbrio e cabe ao dirigente verificar os excessos e saber diferenciar as vibrações, pois a comida e bebida fazem parte sim do trabalho dessa falange, sendo fundamental a presença destes elementos quando uma criança se manifesta, tudo depende da doutrina da casa.

Quanto ao tipo de trabalho que estas tão valorosas entidades realizam, também é bastante mal compreendido por todos. seus trabalhos são visto de maneira bastante simplória.

Como é uma falange altamente espiritualizada, certos trabalhos de limpeza não tem condições de serem por elas realizados.

Daí decorre a necessidade de sempre se precisar invocar o trabalho de uma ou outra falange para o "fechamento" dos trabalhos
A criança quando realiza o seu trabalho, no momento do passe, simplesmente retira o que pode estar atrapalhando a vida de uma pessoa, mas não conduz o que foi retirado para o devido lugar.
Retira e deixa em um canto.
Precisa, pois, de um batalhão de choque para levar o que foi retirado.

Se formos reparar nos apetrechos que se utilizam para os trabalhos, observamos objetos ritualísticos de origem druida, xamânica, egípcia e outras.

É preciso se despir de todo o preconceito, tirar as mágoas e ódios do peito para encontrar o reino dos céus.

De outra maneira, é preciso voltar a ser criança, para encontrarmos o verdadeiro caminho da espiritualidade.

"Bem-aventuradas sejam as crianças, porque é delas o Reino dos Céus"

Saravá as Crianças
As nossas crianças
Onibeijada.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Ibeijada

São a alegria que contagia a Umbanda; são a pureza, a inocência e, por isso mesmo, os detentores da verdadeira magia, extremamente respeitados pelos caboclos e pelos pretos-velhos. É importante salientar que a falange de Ibeijada é um grupo de espíritos de altíssima   vibração, são espiritos puros que participam de um plano altíssimo de evolução, por essa pureza esses espíritos assumem a forma de crianças ,que são os representante da fase mais pura e inocente do ser humano. 
    As Crianças, estando em constante trabalho, é uma das poucas falanges que consegue dominar plenamente a magia. Embora as crianças brinquem, dancem e cantem, merecem respeito para o seu trabalho, pois atrás dessa vibração infantil, existem espíritos de extraordinários conhecimentos e de alta vibração espiritual.
    As festas para Ibeijada, tiveram origem na Lei do Ventre-Livre, desde aquela época até nossos dias, são servidos às crianças um "aluá" ou água com açúcar (ou refrigerantes adocicados no dia de hoje), bem como o caruru (também nas Nações de Candomblés).

Características da Falange das Crianças


Cor
Branco e Rosa
Fio de Contas
Contas e Miçangas Rosas e Brancas
Ervas
Cambará, caruru, maracujá
Pontos da Natureza
Jardins, praças floridas
Flores
Palmas cor de rosa, monsenhor cor de rosa
Essências
Flor de maçã, camomila, miosótis
Pedras
Quartzo rosa, turmalina rosa (rubelita), rodocrosita
Metal
Da vibração originária
Saúde
Dores de cabeça, dores musculares e vômitos
Dia da Semana
Domingo
Bebida
Água com açúcar (Aluá), guaraná e refrigerantes diversos
Comidas
Manjar, doces, cocadas


Atribuições
    Essa falange que rege nossos lares, os casamentos e a gravidez. Rege as uniões, as festas de casamento e todas as comemorações. É também responsável pelo bom andamento dos negócios e da área financeira de um modo geral, trazendo , conforme o nosso merecimento, sucesso em nossos empreendimentos.
    Nas giras festivas de Ibeijada, normalmente há farta distribuição de doces, bolos e balas à assistência. Tradicionalmente, não devem faltar o manjar e as cocadas brancas

Salve a Ibeijada!!!!!!


"Nuvens abrindo-se qual cortinas de um palco, tocadas pelo vento, deixam transparecer o céu azul, nos mostrando uma encantadora cena: árvores como se fossem de um jardim do Paraíso, repletas de flores coloridas que o engalanam de festiva e feliz natureza.

Vê-se crianças alegres que brincam, cantam, pulam. Mais adiante, no lago de águas límpidas, navegam cisnes brancos que as mesmas conduzem, por rédeas doiradas, leves como suas plumas.

Em grupos diversos, espalham-se pelo jardim, umas a colherem flores, fazendo grinaldas para seus cabelos, ornamentando suas cabecinhas, louras e morenas.

Outras, porém, de pétalas de rosas, cobrem o caminho aonde deverá passar, mais tarde, o Anjo Protetor, que numa visita diária, faz solene sua chegada.

Espalha bondade, ternura, dando confiança e amor; é o regente de todas elas. Por entre alas formadas com disciplina, segue um menino oriental, vestido de prata e azul turquesa, que de seu turíbulo, faz sair fumaça de perfumes inebriantes, elevando-se ao alto numa consagração. Logo a seguir, de par em par, meninos e meninas, a todos com água divina, asperge.

É nesta solenidade, de encantadora paz, que o céu torna-se róseo, dando ao crepúsculo o nome da "Hora da Ibeijada".

Mais tarde, porém, no fim dessa cena, fecha-se o palco com a cortina negra da noite, bordada de estrelas representativas, cuja a Via Láctea simboliza as Crianças do Astral.

Crianças


“A criança é o presente de Deus à família.
Cada criança é criada na imagem especial e semelhança de Deus por maiores coisas – amar e ser amado.”
Madre Teresa de Calcutá

Por força de expressão, também chamadas de “beijada”, “Ibejis”, “Erês”, “Cosminhos” ou, o que é o mais correto, simplesmente crianças. Muito temos a aprender com as Crianças na Umbanda, “se todos tivessem olhos de Crianças não haveriam mais guerras”, “Se nos permitirmos ser mais crianças, em nosso dia-a-dia, seriamos muito mais alegres”, “A pureza das Crianças é cor em nossas vidas”, “O Reino dos Céus pertence às Crianças, aos puros de coração”, “Quando as Crianças estão em terra tudo vira arco-íris” e etc.
Muitos não conseguem ver a importância dos trabalhos das Crianças, não percebem o quanto elas realizam apenas “brincando” e comendo doces.
Muitas Crianças que incorporam na Umbanda são encantados que nunca encarnaram, outras encarnaram apenas uma vez. Estão mais ligadas ao plano encantado da natureza do que ao natural humano, Crianças vibram as forças da natureza de forma sutil, mas de forma intensa, assim umas são das cachoeiras, outras das praias, do mar, das pedreiras, das matas…
Quando incorporadas elas vibram, o tempo todo, a energia encantada do reino a que estão ligadas, basta entrar na sua sintonia infantil, brincando e comendo doces, que acontece toda uma limpeza espiritual.
Energias negativas são absorvidas pelos mistérios que sustentam o trabalho das Crianças pela esquerda e pelo embaixo, enquanto o alto e a direita irradiam a energia que precisamos para nos amparar e mudar nossa visão de mundo.
Muitas vezes queremos que nossa vida mude e esquecemos que se nós não mudamos nosso comportamento a vida também não muda.
Crianças nos ajudam e muito a renovar nossas atitudes, a começar de novo, como uma criança que começa outra vez sua tarefa no plano material.
Crianças estão muito ligadas às cores, ao arco-íris, alegria, desprendimento material e pureza. As Crianças não são “espíritos adultos” se passando por crianças, o que não seria nada natural, e sim “espíritos infantis”, espíritos que ainda não se humanizaram por completo.
Estão mais ligadas as realidades anteriores da humana, aos planos encantados da natureza, que “estagiamos” antes de entrar no natural de reencarnações na matéria. Estão em um estágio anterior, por isso podemos considera-las espíritos infantis e elas nos vêem como mais velhos.
Mas não tem a mente adormecida, algumas têm lembranças de séculos. Para vir na Umbanda passam por um preparo no astral, elas chamam de escolinha, respondem no grau de guias pois tem muito a dar e realizam um trabalho muito importante. M
Muitas trabalham acompanhando de perto a nossa infância, enquanto somos crianças elas têm maior acesso e facilidade para nos ajudar pois nossa vibração fica mais próxima à delas.
Resumindo crianças trabalham e muito, que para elas é uma alegria. Temos crianças de todos os Orixás, a “força Ibeji” é a força infantil do plano encantado das Crianças, um dos Orixás mais atuantes na corrente das crianças é Oxumaré (lembre-se das cores, bexigas e arco-íris).
Podemos oferenda-las em praças, parques e cachoeiras, ou um outro local especificado pelas mesmas.
A.D.
Texto recebido por email.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Salve as Cranças na Umbanda

CRIANÇAS: ENERGIA TRANSBORDANTE
BEIJADA: Nome dado no Brasil, às entidades que se apresentam sob a forma de crianças. São, conforme a crença geral, nos cultos afro-brasileiros e na Umbanda, as falanges dos Orixás gêmeos africanos IBEJI.
BEIJIS – IBEJI : (ib: “nascer”; eji: “dois”) Orixás gêmeos africanos que correspondem, no sincretismo afro-brasileiro, aos santos católicos Cosme e Damião. Ibeji na nação Keto, ou Vunji nas nações Angola e Congo.
DOIS DOIS: Nome pela qual são designados os santos católicos Crispim e Crispiniano; também são assim designados os santos Cosme e Damião, os Orixá africano IBEJI e as falange das crianças na Umbanda.
ERÉ: vem do yorubá iré que significa “brincadeira, divertimento”.
Existe uma confusão latente entre o Orixá Ibeji e os Erês. É evidente que há uma relação, mas não se trata da mesma entidade. Ibeji, são divindades gêmeas, sendo costumeiramente sincretizadas aos santos gêmeos católicos Cosme e Damião. Erês, Crianças, Ibejada, Dois-Dois, são Guias ou entidades de caráter infantil que incorporam na Umbanda.
Os erês são entidades puras e que nos ajudam de forma única e especialmente doce. Os filhos de Ogum, como também são conhecidos, tem a presença mais alegre da Umbanda, trazendo sempre renovações e esperança, reforçando a natureza pura e ingênua dos seres humanos. É a linha que mais cativa as pessoas, pelo ar inocente que traz na face do médium. Por sua natureza pura e pelos patronos a linha de Cosme e Damião também traz a cura para os males do corpo e do espírito, além de darem proteção e benção extra as crianças. Sua energia é transbordante de vitalidade e alegria, sendo capaz de derramar as maiores bênçãos de harmonia cotidiana.
A festa de São Cosme, Damião e Doun, tem duração de um mês, iniciando a 27 de setembro (Cosme e Damião) e terminando a 25 de outubro (Crispim e Crispiniano).
Nos Terreiros de Um­banda, a festa é muito bonita, há distribuição de balas, doces e guaraná para as crianças, os médiuns incorporam as crianças espirituais com a exteriorização atitudes infantis como o apego a brinquedos, bonecas, chupetas, carrinhos e bolas. Mas infelizmente e erroneamente, muitos interpretam a ‘gira de criança’ como uma diversão, afinal normalmente elas são realizadas somente em dias festivos como também, muitas vezes não consigamos conter os risos diante das palavras e atitudes das queridas crianças, momentos únicos de alegria e descontração que os Guias Espirituais, as crianças, aproveitam para nos curar de nossas amarguras. Ainda há muita deturpação com relação às falanges de crianças na Umbanda, onde acredita-se que são espíritos de crianças que morreram prematuramente, o que na verdade, as “crianças” são espíritos elevadíssimos que trabalham na falange de Yori e “simplesmente” se adaptam suas formas espirituais às formas astrais de crianças, assim de forma doce, ingênua e com muita alegria esses Espíritos de Luz conseguem nos envolver intimamente e desagregar energias densas enraizadas em nosso campo aurico que nos deixa cada vez mais doente de corpo e de alma.
No dia 27 de setembro, dê uma pausa para a reflexão. Seu comportamento tem sido como das crianças espirituais da Umbanda? Você tem sido alegre, bem humorado e puro de coração? Ou pelo menos exercita o aprimoramento de viver sempre com alegria e esperança? Reflita sobre a sua missão.
Nesse dia especial, faça uma promessa para si mesmo; seu lado infantil e puro não deve morrer! Deve renascer em bondade, amor por todos os seres e gratidão pela vida. Se for a uma festa de Cosme e Damião no terreiro de Umbanda, leve para casa, além dos doces e bolos, o exemplo de alegria e pureza da sublime falange de Yori!
Salve as Crianças! Salve os Erês! Salve Cosme e Damião!
Salve Oni beijada!

A MAGIA DA CRIANÇA
O elemento e força da natureza correspondente a Ibeji são…TODOS, pois ele poderá, de acordo com a necessidade, utilizar qualquer dos elementos. Eles manipulam as energias elementais e são portadores naturais de poderes só encontrados nos próprios Orixás que os regem.
Estas entidades são a verdadeira expressão da alegria e da honestidade, dessa forma, apesar da aparência frágil, são verdadeiros magos e conseguem atingir o seu objetivo com uma força imensa.
As preces dirigidas às “Crianças da Umbanda”, são prontamente atendidas, afinal, são dotadas de intenso poder mágico e vibração que só espíritos de grande luz possuem.
Uma curiosidade: Cosme e Da­mião foram os primeiros santos a terem uma igreja no Brasil. Ela foi cons­truída em Igarassu, Pernam­buco, e ainda existe.
Matéria extraída JUCA – Jornal de Umbanda Carismática, edição 13 setembro 2007

São Cosme e Damião os padroeiros dos Médicos

São Cosme & Damião
Os gêmeos que curavam com as mãos são considerados os primeiros santos médicos do cristianismo
Nascimento: No século 3, na região da Arábia
Morte: Em 270, na Cilícia, na Síria
A história de Cosme e Damião é tão envolta por lendas que fica difícil saber o que é folclore e o que realmente aconteceu. Sabe-se que os irmãos gêmeos nasceram na Arábia, no século 3, e que, assim como em outros lugares do mundo, a população acreditava em várias divindades simultaneamente. Era comum as pessoas adorarem astros e fenômenos da natureza. Sol, vento e chuva eram considerados manifestações divinas. Os meninos, porém, não confiavam muito nessa crença.
“Você não acha que deve haver um pai de todas as coisas?”, perguntou Damião. “Acho, sim”, respondeu Cosme. Como o imperador Diocleciano havia proibido a crença em um único Deus, característica do cristianismo, os meninos não tinham conhecimento sobre os ensinamentos do messias. Mesmo assim, a partir desse dia, os gêmeos passaram a invocar o nome desse “pai de todos” para curar animais. Como deu certo, eles começaram a fazer o mesmo com crianças doentes da vila onde moravam. Bastava um toque ou algumas palavras para que curassem os amigos.
A mãe deles, Teodora, logo percebeu a movimentação e questionou o que estava acontecendo com os filhos. Os meninos eram órfãos de pai, um mercador árabe que morrera quando ainda eram bebês. Criados pela mãe com ajuda da família, os gêmeos contaram a ela o que haviam descoberto. Carinhosa, Teodora prometeu ajudá-los a descobrir quem era o criador do mundo.
O dom de Cosme e Damião permaneceu durante a adolescência. Sua mãe decidiu mudar com os rapazes para a Cilícia (sul da Turquia), onde morava o irmão dela, e os levou junto. Porém, deixou seus outros filhos Antimio, Leôncio e Euprério com mercadores locais. Durante a viagem, a família conheceu muitos cristãos e ouviu falar pela primeira vez de Jesus Cristo. Ao chegar ao novo destino, foram batizados e abraçaram o cristianismo.
Eles tiveram mais contato com as práticas médicas graças a um homem chamado Levi, um misto de santo e curador da comunidade local. Experiente, transmitiu aos jovens o que sabia e os ajudou a atender os enfermos. Os doentes faziam filas para serem salvos pelo toque das mãos dos gêmeos e suas palavras de fé.
Antigos relatos também contam que Cosme e Damião eram excelentes cirurgiões e que realizaram um dos primeiros transplantes de que se tem notícia. Os novos médicos deram uma nova perna a um homem que teve gangrena e o fizeram andar.
Bondosos, tinham um lema: nunca cobrar por seus serviços e recusar qualquer forma de pagamento dos pacientes. O trabalho era feito apenas pelo amor ao próximo. Desta forma, ajudaram a disseminar o cristianismo e a converter muitas pessoas.
A fama de Cosme e Damião se espalhou rápido e o cônsul Lísias, representante do imperador na Cilícia, ficou furioso com os cristãos. Sua primeira providência foi proibi-los de exercer a medicina. Depois, ordenou que toda a família dos gêmeos fosse presa. Seus outros três irmãos foram acusados de feitiçaria e obrigados a renegar o cristianismo. Cosme e Damião tentaram se explicar, dizendo que curavam em nome de Jesus, mas só pioraram a situação deles. Foram jogados numa masmorra e sofreram variadas torturas. Eles conseguiram fazer milagres até nesse momento difícil. As flechas e pedras jogadas contra os dois não conseguiam feri-los e se voltavam para seus algozes. Após um mês de martírio, Cosme e Damião morreram decapitados. Eles foram canonizados por aclamação popular e são considerados os primeiros santos médicos do cristianismo.
Nos anos que se seguiram, ficaram ainda mais populares. O papa Félix IV construiu em Roma, no século 6, uma igreja em homenagem a eles, a basílica de São Cosme e São Damião. Por volta do ano 560, o imperador Justiniano também ajudou a difundir a crença nos irmãos ao restaurar a cidade de Ciro, onde eles estão enterrados, e reconstruiu a igreja dedicada a eles localizada em Istambul.
No Brasil, o culto aos santos teve início em 1535, quando foi erguida a primeira igreja católica do país, em Igarassu (PE), que recebeu o nome deles. Eles são venerados principalmente no Rio de Janeiro e em Pernambuco. Na paróquia de Andaraí, na capital carioca, acontece uma procissão com 8 mil pessoas no dia 27 de setembro. A data ainda é comemorada em vários lugares do país porque já foi o Dia de São Cosme e Damião. Na década de 70, o Vaticano mudou para 26 de setembro o dia de homenagear os santos, mas em alguns lugares a data antiga foi mantida.
A sincretização de São Cosme e Damião com os cultos afro-brasileiros gerou o costume de oferecer doces à população nas semanas que antecedem os festejos. Na época da escravidão, não havia liberdade religiosa para os negros. Então, eles precisavam misturar sua fé com os santos do catolicismo. Com o surgimento da umbanda, Cosme e Damião foram associados aos guias espirituais conhecidos como Ibeji, que também são gêmeos. Como são espíritos de crianças, gostam de receber doces como oferendas. Mesmo não tendo uma origem cristã, essa prática é aceita pela Igreja por estimular a caridade.
Como estão ligados à figura infantil, os católicos pagam suas promessas, geralmente ligadas à cura de doenças em crianças, acendendo velas do tamanho delas.
Briga entre irmãos
Diz uma lenda popular que, certa vez, Damião teria aceitado pagamento de uma paciente por uma consulta. Cosme ficou indignado e brigou com o irmão por ter feito algo contra os princípios deles. Chateado, pediu para ser sepultado separado do gêmeo, em um lugar bem longe. Após o martírio dos dois médicos, um camelo falou a todos os presentes que Damião só aceitou a oferta da doente porque não quis humilhá-la. Com tudo devidamente esclarecido, Cosme e Damião foram sepultados juntos.

Os padroeiros dos médicos
1. Os instrumentos cirúrgicos nas mãos dos irmãos indicam que os santos eram médicos.
2. A folha de palmeira é o símbolo dos que morreram como mártires.
3. A auréola ao redor de suas cabeças indica o poder divino.
A oração
São Cosme e Damião, que por amor a Deus e ao próximo vos dedicastes à cura do corpo e da alma de vossos semelhantes, abençoai os médicos e farmacêuticos, medicai o meu corpo na doença e fortalecei a minha alma contra a superstição e todas as práticas do mal. Que vossa inocência e simplicidade acompanhem e protejam todas as nossas crianças. Que a alegria da consciência tranqüila, que sempre vos acompanhou, repouse também em meu coração. Que a vossa proteção, São Cosme e Damião, conserve meu coração simples e sincero, para que sirvam também para mim as palavras de Jesus: “Deixai vir a mim os pequeninos, pois deles é o reino dos céus”. São Cosme e Damião, rogai por nós. Amém. 

Que Deus abençoe todas as Crianças do Universo.
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