Seguidores e Amigos da Umbanda

Translate

English French German Spain Italian Dutch Russian Portuguese Japanese Korean Arabic Chinese Simplified

Mostrando postagens com marcador Medium / Mediunidade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Medium / Mediunidade. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Em torno da Mediunidade

O processo mediúnico ainda não está compreendido em sua totalidade, mesmo, porque, o pensamento do homem ainda é bastante diversificado e embaraçado pelas equações filosóficas em vigor.

Apesar de tudo, boa parte da humanidade já aceita a idéia sobre mediunidade, sendo bastante restrito o número daqueles que penetram na mecânica do processo.

Podemos asseverar que a mediunidade, representando um quadro expressivo de paranormalidade, é fenômeno que se passa na mente humana com especificas e avançadas características psicológicas.

Os fenômenos mediúnicos podem despontar de modo lento e progressivo, como, também, por meio de características ostensivas; ainda mais, nestas duas posições, em graus bem variáveis.

Esses fenômenos podem responder, pela sua inusitada e tão expressiva mecânica, como um valioso processo dentro da evolução humana. Acreditamos mesmo, que as futuras civilizações participarão desse processo psicológico com bastante riqueza de detalhes e de modo natural, como hoje se observam as equações psíquicas nas estruturações intelectuais.

Podemos perceber que esses delicados e sutis processos se mostram, de modo bem comum, nas crianças até 7 anos de idade em média. Nesta fase da infância, os laços perispirituais ( organizador biológico) com as células físicas por se encontrarem como que levemente atados e de fácil desligamento, propiciariam a mais fácil perceptibilidade da dimensão espiritual. Muitas crianças participam desses mecanismos, porém sem tradução exata dos mesmos; confundem a realidade física com a espiritual. Um observador atento, diante das atividades infantis pode catalogar muitos fatos de interesse, embora nem todos estejam ligados a uma participação espiritual.

Após os 7 anos de idade, época, aproximadamente, em que os laços fluídicos do Perispírito já se encontram bem definidos ( atados), a realidade do mundo físico passa a ser a tônica dominante;

contudo, alguns médiuns ostensivos, mesmo dentro desse período até a conclusão da adolescência, apresentam atividades mediúnicas sem óbices de qualquer natureza.

O mais comum seria o despertar mediúnico, após a conclusão da adolescência, quando o organismo adquiriu a evolução física necessária, a fim de que as telas nervosas, bem mais amadurecidas e perfeitamente nutridas pelo conjunto das glândulas endócrinas, se possam adequar com mais precisão ao processo em pauta.

Assim, entre os 17 e 20 anos seria a época do despertar mediúnicos nos mais sensíveis, a conservar-se de acordo com as possibilidades de desenvolvimento e exercícios, tanto mais positivo quanto mais expressivo for o esquema ético e moral.

Os fenômenos mediúnicos, quando obedecendo a um plano adrede preparado, dentro de componentes morais bem acentuados, podem tomar as características de missão, valendo a denominação de mediunato.

Quando o processo se torna eventual, quase sem finalidade e alcance, sem aquela característica dinâmica do mediunato, valeria a denominação de simples mediunismo ou mediunidade estática, generalizada, pela inexistência dos valores que lhes dariam estruturação evolutiva.

Todo processo mediúnico representa um estado psicológico especifico, às custas do deslocamento das energias psíquicas, em especial textura e vontade dos participantes do processo:

O Espírito comunicante e o médium ( intermediário), receptor. É claro que a energética em ação é psíquica, de uma fonte psíquica para outra, de um campo mental para outro, a representar uma das grandes forças cósmicas.

A Física moderna considera a existência de 4 forças no Universo:

1.. Interação forte - limitada às partículas do núcleo atômico, mantendo unidos, principalmente os prótons e os nêutrons.

1.. Força eletromagnética - 140 vezes mais fraca que a primeira, atuando sobre as partículas atômicas portadoras de carga; o elétron do átomo sofre sua direta influência.

2.. Interação fraca - também denominada de pequena força nuclear atômica, é 100 trilhões de vezes mais fraca que a interação forte. É a força que regula e orienta os saltos dos elétrons e dos fótons dos núcleos, observados nos átomos radioativos.

3.. Força de gravitação - a mais fraca das 4 forças, entretanto parece bem forte quando notamos a queda dos corpos em direção ao solo. É a força que mantém o sistema solar unido e o sistema galáxico.

Esta força nos chama mais a atenção, porquanto as 3 outras são como que aprisionadas nas estruturas da matéria, enquanto que a gravitacional, infinitamente mais fraca, se expande a incomensuráveis distâncias.

Neste quadro cósmico poderíamos incluir mais 3 forças:

1.. Força PSI - desenvolvida na própria organização do ser. A força em que os vórtices do Espírito orientariam o Perispírito e este, por sua vez, o corpo físico. Portanto, seria uma variedade de campo energético limitada à organização dos seres; uma força que propiciaria ao EU ou Individualidade ( Espírito) orientar e manipular a Personalidade ( Corpo Físico), refletindo-se num determinado biótipo ou arcabouço psicológico.

1.. Força Psíquica - força de nosso intercâmbio, comunicação e atendimento, força de envolvimento nas diversas criações e orientadas pela vontade. Seria a força do psiquismo, como processo criativo, transformando-se e interpenetrando os seres. Nestas condições entenderíamos as criações intelectuais, os mecanismos psíquicos em suas expansões externas, onde a manifestação do processo mediúnico teria assegurado a sua posição.

2.. A Força Divina - um campo infindável de energias a representar a imanência de Deus (@. O centro transcendente divino sempre a esparzir as suas irradiações pêlo Universo, como campo-imanente@, onde nos encontramos mergulhados em nossa reduzida gleba cósmica.

Considerando este esquema das forças, situamos a mediunidade como resultado de um processo que tomaria nascimento no campo de energias da 6ª força - a força psíquica.

Não sabemos que elementos seriam estes, se corpúsculos ou ondas, ou mesmo uma associação sob forma de " PACOTES DE ONDAS" responsável por tão especifica dinâmica.

Conhecemos sim, os resultados, os fatos e alguns ângulos de manifestações de suas interações, mas desconhecemos a estruturação do processo mediúnico.

Seria bem certo dizermos que o nosso intelecto ainda não se encontra preparado para definir e avaliar tal posição.

Imanência - que existe sempre num dado objeto ou ser; que não pode se separar dele. Permanente, constante.

O processo mediúnico sofrendo, como referimos, influências de acordo com a idade do ser, mostrar-se-á, também, com tonalidades e coloridos de muitos matizes.

Podemos asseverar que não existe uma manifestação igual a outra, embora o processamento se assemelhe e se mostre dentro de condições aparentemente idênticas.

A energética psíquica que participa do processo investe a condição de afinidade e sintonia, levando-se em consideração o grau qualitativo do fenômeno e que estará relacionado com o grau evolutivo do comunicante e do médium.

O fenômeno mediúnico, ao desenvolver-se na organização material ( encarnado), necessita de telas psíquicas adequadas e, por serem materiais, sofrem influências do sistema nervoso vegetativo, do sistema cérebro-espinhal e da cadeia glandular; portanto, do arcabouço neuro-endócrino que o médium carrega.

Ainda não sabemos o modo como essa estrutura neuro-endócrino poderá influir na fenomenologia mediúnica, mas, pelo conhecimento que já possuímos a respeito dos biótipos psicológicos, podemos tirar as necessárias ilações dessas influências.

As glândulas endócrinas, por intermédio de suas elaborações hormonais, regularizam e ordenam as manifestações do psiquismo.

Essa influência é de tal ordem que, hoje, os cientistas estão no encalço de certas manifestações psicológicas diretamente ligadas à glândula pineal.

Acham mesmo, que a epífise ou pineal representa um relógio biológico e, como tal, os fenômenos psicológicos estariam coligados em suas telas específicas.

André Luiz nos tem fornecido, pela mediunidade de F. Xavier, informações dignas de registro, em que a pineal estaria comprometida com as manifestações mediúnicas e, de tal forma, que seria responsável, no nosso entender, pela orientação e respectiva transmutação dos dados espirituais, em dados intelectivos, na zona nobre talâmica da base cerebral e, daí, partindo para os respectivos centros nervosos da córtex, onde as informações alcançarão o entendimento da comunicação.

As mensagens mediúnicas variarão em suas expressões e manifestações, e serão tanto mais sérias e qualitativas quanto maior for o estofo moral do médium; este, qualitativamente situado, só sintonizará com forças psíquicas construtivas e ordeiras.

As estruturas profundas do psiquismo humano, diante dos exercícios mediúnicos, vão, como que, no dia-a-dia, abrindo comportas e absorvendo aptidões que o processo em pauta pode determinar.

A absorção dessas aptidões, sedimentando-se nas íntimas estruturas do Espírito, vão criando zonas específicas que responderão como fontes ativas e sempre facilmente despertadas pelas influências espirituais externas; seriam campos-energéticos encravados no psiquismo de profundidade e despertados por influências especiais e na mesma gama vibratória em que o médium se situa.

Reforçando a idéia, poderíamos dizer que estes campos, assim construídos, responderiam por autênticos reflexos-condicionados do Espírito. Precisamos entender, também, que as manifestações mediúnicas inundam a organização do médium, ficando com ele a essência que o processo propicia.

Quando o mediunismo é sério, obedecendo as regras de um mediunato, absorve o trabalho construtivo e avança na evolução. Não acontecendo o mesmo com o trabalho mediúnico desordenado e comandado pelas mentes em desalinho, em que o médium será palco de forças vampirizantes e obsessivas.

Com a mediunidade mal conduzida, o médium propicia uma série de reflexos em sua organização física, onde podemos salientar grupos de sintomas bem caracterizados a desembocarem nos diversos graus de obsessão:

1.. perda de vitalidade, desgaste físico com depressão;

2.. distúrbios neuro-vegetativos, mostrando as tão conhecidas reações psicossomáticas, assunto de profundo interesse científico;

3.. excitações constantes, a desenvolverem os múltiplos e extensos quadros de ansiedade;

4.. pontos máximos de obsessão a manifestar-se nos quadros histéricos, epilépticos e, posteriormente, nas severas psicoses

Jorge Ândrea dos Santos

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Desenvolvimento do Médium Iniciante.


Com muita freqüência, vemos que os médiuns iniciantes na Umbanda têm pressa na prática do exercício de sua mediunidade, seja da incorporação, de vidência, de psicografia, entre tantas outras faculdades, o que o
médium aprendiz deseja é começar logo na prestação de sua caridade espiritual, além de querer conseguir sua total evolução em um período curto de tempo.

Antes de tudo, deve-se saber que o processo de desenvolvimento das faculdades mediúnicas se dão individualmente e que cada indivíduo tem seu tempo, não existindo regras quanto a estipulação de tempo para as faculdades mediúnicas, sendo portanto, cada um responsável pelo seu próprio desenvolvimento espiritual, e cada qual com seu tempo.

Outro ponto a ser abordado, é que, jamais um dirigente espiritual centrado fará ser apressado este processo, que via de regra é lento e acima de tudo individual, também não se quer ver o médium iniciante atropelando-se nas etapas necessárias ao perfeito trabalho mediúnico, pois o que se objetiva não é apressar ou tornar madura a mediunidade precocemente, sem que
antes, haja o estudo mediúnico aliado à prática experimentada da faculdade mediúnica.

Deve haver ainda, a sapiência e a consciência do médium sobre os atos, preceitos e fundamentos litúrgicos da Umbanda, antes por exemplo, de se ver um médium de incorporação consultando, este deve estar capacitado e apto ao trabalho mediúnico, e estes fatores só terão êxito se houver
junto com a prática do desenvolvimento, o estudo, pois sem ele, não se conseguem princípios basilares para o trabalho mediúnico adequado.

Ademais, o estudo é imprescindível para o regular e constante desenvolvimento do médium, seja ele iniciante ou não, afinal jamais se saberá de tudo, e por isso deve-se buscar a constante atualização nos materiais sobre o que se pretende aprender.

Comumente relatos de médiuns iniciantes mostram que certos médiuns, antes de trabalharem na corrente de Umbanda apresentavam incorporações desordenadas constantes, visões a todo instante, ouviam e sentiam muitas coisas, e que, após a entrada para o ofício mediúnico na Casa de
Umbanda, essa intensidade diminuiu muito, chegando em alguns dos casos até extinguir-se. Os Guias e Mentores de Luz entendem que estas sensações de desequilíbrio e desarmonia que antes eram sentidos pelo médium sem terreiro, não mais são necessárias novamente, eis que estes desequilíbrios
aconteceram para que o indivíduo se conscientizasse sobre seu caminho espiritual, acerca de Deus, da Caridade, do seu real objetivo na Terra, e obviamente de seu Karma Espiritual. Porém esta conscientização só se dará por meio de estudos.

Reflitamos e entendamos então, que só por meio do estudo conseguiremos entender mais sobre estas indagações acima expostas, e só com a prática habitual do estudo cominada com a prática empírica da mediunidade poderemos ter a excelência na prestação do ofício mediúnico, e no tão pretendido desenvolvimento “completo” das faculdades mediúnicas. Paciência, estudo, concentração, disciplina servirão e muito para galgar o rápido desenvolvimento.

T.U.Caminho da Fé

terça-feira, 19 de abril de 2011

MÉDIUNS DE UMBANDA


Quando os médiuns se agrupam num terreiro, as energias formam dezenas de fios interconectados, mistura dos ectoplasmas que serão utilizados pela egrégora da casa nos trabalhos diversos, mistura de pensamentos também transmutados em energia. Pensamentos bons, vigorosos, fervorosos e pensamentos de dor, preocupação, fraquezas, rancores, medos. Tudo isso perpassa por todos que estão imantados numa gira de Umbanda, antes dos guias se manifestarem e descerem em Terra para sua missão no Bem, no Amor e na Caridade.

Ocorrem inumeráveis e invisíveis situações de descarrego, vitalizações, desmanches, desintegração de larvas, e todo o tipo de miasmas. Os médiuns por sua vez, agindo como verdadeiros religiosos e despertos para as responsabilidades, terão se preparado para aquele momento, através da conduta adequada, alimentação e sono equilibrados, isenção de atividade sexual, para não haver descontinuidade do seu fluxo energético, agora canalizado para a comunicação entre os portais do mundo material e espiritual.

Cada um de nós, médiuns, não possuímos santidade, mas já adquirimos Amor à Humanidade, ao ponto de dispormos nosso instrumento físico para ajudar a quem precise. Não podemos ter a arrogância de dizer que nada nos afetará e interferirá em nosso trabalho na Caridade. Mas se formos esperar para sermos perfeitos nunca iremos trabalhar, se evitarmos sempre situações de prova nunca aprenderemos, e se não nos expusermos às quedas nunca mediremos nossa força .

Os casais de médiuns que freqüentam um centro devem ter consciência do equilíbrio necessário em sua vida material, espiritual e energética. Este auto-conhecimento obrigatório, com certeza gera um crescimento pessoal. Pois um médium para ser efetivo numa gira, tem antes de tudo, estar bem consigo. E estar bem consigo é estar satisfeito em todos os setores de sua vida, apesar dos contratempos e intempéries naturais que ocorrem com cada um. Mas deve estar livre de ansiedades, inseguranças, pensamentos precipitados. Deve em suma, estar preparado para ser um instrumento livre de preconceitos, dogmas, para dar passagem apenas às claridades da vida espiritual. Acreditamos que um umbandista terá mais facilidade de entender outro umbandista, o difícil é o equilíbrio constante, mas isso é uma questão de responsabilidade pessoal e devotamento às aspirações de um ser humano integral. O nosso maior almejo, no dia a dia das relações da alma, é o Amor, o respeito à liberdade do outro, e a preocupação maior não será a quantidade do Amor que recebemos, mas quanto de Amor temos capacidade de doar, a conexão suprema e incondicional que faz valer a pena a existência.

Duas vovós deixaram suas palavras quanto à esta questão, da participação de casais de médiuns, ou cambonos e médiuns, dentro de uma gira de Umbanda.

De Vovó Maria Conga escutei: “ Deus abençoa esses Fio tudo. Que Ele dê Força pra agir certo, e Caminho pra ser Feliz.”

E Vovó Maria, tão querida, completou: “ Cada Fio tem de pensar simples, e viver simples. Fio tem de descomplicar. Elevar o pensamento ao Senhor dessa Terra, nosso Mestre Jesus e deixar Ele falar pelo seu coração. Seguindo o coração abençoado pelo Senhor Jesus, filho de banda nunca errará seu caminho. Tem de confiá que Jesus abençoa todo e qualquer caminho, e os Fio de banda nada deverá temer: nem de errar, nem de perder. Só terá de Amar.”

Alex de Oxóssi
fonte: Povo de Aruanda

Desenvolvimento do Médium


Todos sabemos que o médium deve procurar uma casa de Umbanda para seu desenvolvimento espiritual.

Isso porque quando nos envolvemos com a espiritualidade em geral, abrimos canais energéticos em nosso organismo, tanto físico quanto espiritual, à forças que se não forem devidamente conhecidas, reconhecidas e tratadas poderão nos causar vários problemas, tanto físicos quanto espirituais.

A figura do Pai de Santo ou Dirigente Espiritual, como queiram os diversos pontos de vista, tem uma importância capital. A estabilidade espiritual da casa também.

Um Centro Umbandista não é somente uma construção física, ele é um ambiente sagrado no qual há forças sustentadas pelos assentamentos, obrigações e pelo próprio fluido espiritual emanado do corpo mediúnico, além é óbvio, do apoio e proteção dos guias chefes da casa que mantém o ambiente sadio e fortalecido de forma que as influências negativas não tenham campo para agir.

Neste caso pode-se perceber o quanto é importante para o médium, ao dirigir-se para uma sessão no seu Terreiro, ir imbuído da maior boa vontade e sentimentos puros, pois cada gota de seus fluídos será somada ou diminuída.

Entretanto, temos que ter em mente o ideal principal da religião. Ela não existe simplesmente para se transformar ambientes, compor visuais ou demonstrar o quanto somos organizados e bem vestidos.

Nossos guias espirituais não têm nossas vaidades e a beleza que aos nossos olhos ainda é importante, para eles é inócua, ainda que se sintam satisfeitos quando as produzimos de boa vontade.

Não há erros em desejarmos nossas casas bem arrumadas, decoradas e limpas, iluminadas e organizadas, mas que esses desejos não saiam nunca dos ambientes físicos e se confundam com necessidades espirituais.

Não é desejável que o médium faça atendimentos em sua própria casa ou em quaisquer outros ambientes que não o Centro, Tenda, Barracão, Terreiro, Ilê, ou qualquer outro nome com o qual queiram designá-los.

No entanto, a caridade como finalidade principal da atividade religiosa, não escolhe.
Mais uma vez pedimos a todos a não permitirem em seus corações novos sentimentos de vaidade.

Lembremo-nos que a necessidade é a mãe da realização, mas que o conhecimento é caminho da evolução.

Somos responsáveis por aquilo que cativamos e cada passo que damos à frente não nos permite mais caminharmos em caminhos anteriores.

Pratiquem sem medo suas espiritualidades, pois nossos Orixás e Entidades são nossos protetores e não nossos algozes. Com certeza nos ajudarão sempre que estivermos em dificuldades e nas horas de boas intenções, mas saberão exatamente o quanto de vaidade e personalismo vai em nossos corações.

O médium está em constante evolução e desenvolvimento, não há qualquer médium que não possa mais, pelo tempo que tenha de religião, participar de uma corrente para livrar um filho de uma influência espiritual negativa; ajudar um irmão menos desenvolvido que ainda balança e quase cai ao contato com a influência de seus guias; cambonar um guia de irmãos mais novos; servir um copo de água a quem acabou de desincorporar; afinal, ser útil de alguma forma.

A HUMILDADE É O MAIOR ATRIBUTO DO MÉDIUM, MAS A VAIDADE SUA MAIOR DESGRAÇA.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Sou Médium. O que eu faço???


EU SOU MÉDIUM DE "INCORPORAÇÃO".
MAS... O QUE É ISTO?

No caso específico dessa minha mediunidade, eu sou médium de "incorporação" porque eu sou dotado da seguinte capacidade extrafísica:

Em determinados momentos e sob determinadas circunstâncias, determinados desencarnados podem utilizar todo o meu corpo físico - "por empréstimo" - para eles realizarem palestras, darem passes mediúnicos, fazerem consultas espirituais, etc.

POR QUE EU TENHO MEDIUNIDADE DE "INCORPORAÇÃO"?
Porque, antes de eu encarnar nesta minha atual vida física, o meu pedido para nascer médium de "incorporação" foi aceito e, conseqüentemente, eu me comprometi a bem cumprir o meu Mandato Mediúnico.

MEU PEDIDO? EU NÃO PEDI PARA NASCER MÉDIUM DE "INCORPORAÇÃO"!
É verdade, eu não pedi! Eu implorei! Eu roguei!
Eu supliquei aos meus mentores e amigos espirituais para eu nascer (como nasci) médium de "incorporação".

POR QUE EU FIZ ISTO?
Porque eu já sabia que, se aquele meu pedido fosse aceito (como foi) eu nasceria médium de "incorporação" (como nasci) e assim, se eu bem cumprir o meu Mandato Mediúnico, o meu prêmio será grande, muito grande!

QUE ENORME PRÊMIO É ESTE?
Na realidade são (ou poderão ser) dois magníficos prêmios.
- O primeiro é a minha profunda satisfação espiritual resultante dos meus bons serviços prestados aos meus próximos através dessa minha mediunidade de "incorporação".
- O segundo poderá ser a minha premiação com a chamada "pena cármica alternativa".
Em palavras mais claras, uma parte dos meus grandes (ou enormes) débitos cármicos atuais que normalmente me causariam enormes e longos sofrimento poderão ser trocados pelo meu exercício gratuito, em benefício da comunidade, dessa minha mediunidade de "incorporação".

QUE MARAVILHAS ESSES PRÊMIOS! NÃO SÃO?
Depende!
Sempre depende do meu livre-arbítrio, haja vista que, neste caso, eu sempre tenho três opções:

- Primeira opção EXCELENTE
- Se eu bem cumprir esse meu Mandato Mediúnico ou seja, se eu exercer essa minha bendita mediunidade de "incorporação" com boa vontade, amor, fraternidade, solidariedade, dedicação, responsabilidade, alegria, etc. Será ótimo para mim porque, além da minha profunda satisfação pessoal de eu bem servir aos meus próximos, eu serei beneficiado com a quitação de uma significativa parcela dos meus débitos cármicos, de maneira proporcional ao bem que eu tiver causado aos meus próximos através dessa minha tão bendita mediunidade de "incorporação".

- Segunda opção RUIM
- ou seja, se eu exercer essa Se eu mal cumprir esse meu Mandato Mediúnico bendita mediunidade de
minha, "incorporação" sem boa vontade, sem amor, sem fraternidade, sem solidariedade, sem dedicação, sem responsabilidade, sem alegria, etc. Será ruim para mim porque, em primeiro lugar, eu não terei aquela satisfação íntima, em segundo lugar, apenas uma pequenina parcela dos meus débitos cármicos serão quitados, e em terceiro lugar, eu terei contraído novos débitos cármicos conseqüentes daquela minha má maneira de exercer a minha tão bendita mediunidade de "incorporação".

- Terceira opção PÉSSIMA
-ou seja, se eu firmemente me, Se eu não cumprir esse meu Mandato Mediúnico recusar a exercer essa minha tão bendita mediunidade de "incorporação" - além de, obviamente, eu não ter nenhuma satisfação íntima e não receber quitação de nenhum débito cármico, eu terei aumentado muito os meus débitos cármicos, como conseqüências daquela fragorosa derrota do meu Mandato Mediúnico.

Observação:
As conseqüências do mau exercício mediúnico, e mais ainda da recusa do médium em exercer a sua mediunidade, são ainda maiores porque cada Mandato Mediúnico é um elo de uma corrente de trabalho espiritual que compreende as correspondentes equipes de guias mediúnicos.
Em outras palavras, esse parcial ou total fracasso mediúnico implica em graves e sérios prejuízos ao trabalho do bem aqui na Terra.

ENTÃO... O MEU MANDATO MEDIÚNICO É...
em resumo, simplesmente eu bem exercer, da melhor maneira possível, essa minha bendita mediunidade de "incorporação".

Em outras palavras O meu Mandato Mediúnico consiste em eu exercer essa minha mediunidade de "incorporação" sempre gratuitamente e sempre com boa vontade, amor, fraternidade, solidariedade, dedicação, responsabilidade, alegria, etc.

O QUE É DESENVOLVER UMA MEDIUNIDADE?
Antigamente, quando eram ainda menores os nossos conhecimentos das mediunidades, achávamos que desenvolver uma mediunidade era acelerá-la praticamente à força.

Mas agora, felizmente, sabe-se que não é nada disto, haja vista que, em cada médium, a sua mediunidade, em sendo um processo natural, tem seu próprio tempo de afloração, crescimento e maturação.

Assim sendo, em um médium a sua mediunidade pode, subitamente, se manifestar plenamente, mas em outros médiuns pode demorar dias, semanas, meses ou anos. Enfim, nas mediunidades cada caso realmente é um caso.
Além disto, também se sabe que a melhor maneira possível de desenvolver uma mediunidade em um médium é desenvolver o médium, melhor dizendo, é o próprio médium se desenvolver.

Portanto, eu sei que eu mesmo devo me desenvolver como médium, ou seja, eu mesmo devo desenvolver os meus conhecimentos e as minhas aptidões de médium de incorporação.

COMO EU DEVO ME DESENVOLVER COMO MÉDIUM DE "INCORPORAÇÃO"?
Em qualquer atividade humana, somente aqueles que adquirem os necessários e suficientes conhecimentos teóricos e práticos podem ser competentes.
Além disto, após adquirir os conhecimentos iniciais, sempre é indispensável o constante aprimoramento.

Portanto, para eu bem me desenvolver como médium de "incorporação", é absolutamente indispensável que, após eu adquirir aqueles conhecimentos indispensáveis, continuamente eu aprimore tanto os meus conhecimentos teóricos quanto a minha prática da minha mediunidade.

Observação:
Como sabemos, infelizmente existem médiuns de "incorporação" que exercem suas mediunidades sem a menor preocupação tanto em estudá-la quanto em se desenvolver como médium.
Eles nem sequer se preparam convenientemente nos dias dos seus trabalhos mediúnicos.
Como é óbvio, essas pessoas podem ser consideradas (no mínimo) como médiuns relapsos e irresponsáveis!

Trechos do texto de
Francisco de Carvalho
Publicado no Jornal de Umbanda Carismatica – JUCA
Edição XXIII

terça-feira, 12 de abril de 2011

Incorporando em qualquer lugar.


Se uma pessoa tem que trabalhar e se a mesma não entrar para o Centro, ela pode receber algum guia na rua, no trabalho ou em qualquer lugar?

Não! Um guia, protetor ou entidade de luz não irá jamais expor uma pessoa ao ridículo ou a situações constrangedoras incorporando em lugares públicos.

O fato é que a pessoa sendo médium e não desenvolvendo a mediunidade não faz com que deixe de ser médium.
O que ocorre é que a sua mediunidade ficará “embrutecida” e desamparada expondo-a a ação de espíritos trevosos, que, esses sim, podem se manifestar em lugares públicos
expondo a pessoa a situações embaraçosas.

Importante ressaltar é que ser médium é uma oportunidade que recebemos de Zambi (Deus) para expurgar parte de nosso karma. Negar ou fugir disso não ajuda em nada.
O importante é aprender a lidar com isso.
E a melhor maneira é desenvolvendo.

A religião ou a Umbanda deve entrar em nossas vidas para nosso crescimento enquanto pessoas.
Nunca deve ser imposta.
Não concordo com fórmulas impostas, entretanto sabemos que existem pessoas e pessoas.
Cada um com seu karma, merecimento, missão e vontade.
É claro que todo ato nosso tem conseqüências, resta saber se estamos dispostos a arcar com elas.

É óbvio também que se acreditamos que antes de encarnar assumimos alguns compromissos
com o objetivo de resgatarmos o nosso karma, e nesses compromissos assumidos estão envolvidas entidades de Umbanda que nos auxiliarão nesse processo, ao nos recusarmos a trabalhar num terreiro de Umbanda, ao nos recusarmos a ouvir os convites feitos pelas nossas entidades para obrarmos o bem, estaremos nos expondo a não cumprirmos com o prometido.

É claro que existem outras formas de fazermos caridade.
É bem verdade que com o concurso de um terreiro, de uma corrente essa tarefa fica facilitada, já que era isso que estava “combinado”.

Fazer parte de uma corrente facilita a nossa comunhão com Deus e com os espíritos do bem,mas não adiantará de nada o médium estar dentro de uma corrente contrariado.

Como dissemos anteriormente, nossos atos geram conseqüências, resta saber se estamos
dispostos a arcar com elas.

Ser umbandista deve ser uma opção e não uma imposição.

fonte:livro Umbanda Mitos e Realidade

segunda-feira, 11 de abril de 2011

A integridade vibratória de um Terreiro.



Sem disciplina rígida e séria uma Casa de Umbanda não prossegue seu trabalho sob os auspícios da Espiritualidade Superior.

O que parece, às vezes, exagero do dirigente no sentido da manutenção da disciplina, do respeito ao terreiro e aos Guias, do respeito à hierarquia constituída, da não permissão de fofocas e conversas fúteis, intrigas e maledicências, constitui-se, na verdade, no grande pára-raio ou entrave à entrada de espíritos obsessores, zombeteiros, mistificadores que atuam criando confusões, brigas, desentendimentos, desânimos e queda da Casa Umbandista.

Todo cuidado é pouco.

Não importa quem agrade ou desagrade.

Quem tem o espírito de amor e busca um Templo sério, e a verdadeira espiritualidade que conduz à evolução compreende, adere. Caso contrário, é melhor que fique de fora da corrente, pois o orgulho, a vaidade, os ciúmes e a ignorância de si mesmo são instrumentos nas mãos dos inimigos invisíveis para desmoralização de um Grupo Espiritualista.


A corrente é a grande força do Templo Umbandista.

Na verdade, a corrente merece mais cuidados que as paredes e toda a estrutura física do Templo.

Tudo gira em torno dela.

Se um elo dessa corrente estiver fraco, obsediado, pode desestruturar todo o trabalho e dar acesso às energias negativas mais amplas que, muitas vezes, conseguem prejudicar a vida de muitas pessoas ligadas a casa espiritual.

Devemos sempre lembrar:
"Ninguém é tão forte como todos nós juntos".

Para manter a Corrente sempre iluminada a disciplina tem que ser rigorosa, e o seu princípio está no respeito à hierarquia.

O membro da Corrente que não se sinta inserido nesse campo de atividade de acordo com as normas da Casa deve se afastar, pois será melhor para ele, e evitar-se-á problemas futuros mais graves, bem como a possibilidade de entrada de quiumbas por tele-mentalização nesses médiuns desavisados.


Diz André Luiz, pelo médium Chico Xavier que :

"Caridade sem disciplina é perda de tempo".

Animismo e Mediunidade (Animismo X Mistificação)


Definição de animismo

A palavra ANIMISMO vem do latim ANIMA que significa alma e foi usada, pela primeira vez, por Alexander Aksakov em seu livro “Animismo e Espiritismo” para designar “todos os fenômenos intelectuais e físicos que deixam supor uma atividade extracorpórea ou à distância do organismo humano e, mais especialmente, os fenômenos mediúnicos que podem ser explicados por uma ação que o homem vivo exerce além dos limites do corpo.”

André Luiz em seu livro “Mecanismos da Mediunidade”, pela psicografia de Francisco Cândido Xavier, define animismo como sendo “o conjunto dos fenômenos psíquicos produzidos com a cooperação consciente ou inconsciente dos médiuns em ação.” Já Richard Simonetti em seu livro “Mediunidade – Tudo o que você precisa saber”, diz que animismo, “na prática mediúnica, é algo da alma do próprio médium, interferindo no intercâmbio.”

Ramatis no livro “Mediunismo”, pela psicografia de Hercílio Maes, diz que “animismo, conforme explica o dicionário do vosso mundo, é o “sistema fisiológico que considera a alma como a causa primária de todos os fatos intelectivos e vitais”.
“O fenômeno anímico, portanto, na esfera de atividades espíritas, significa a intervenção da própria personalidade do médium nas comunicações dos espíritos desencarnados, quando ele impõe algo de si mesmo à conta de mensagens transmitidas do Além-Túmulo.”

Partindo de definições como estas o termo passou a ser usado de forma negativa e pejorativa para tudo aquilo que fosse produzido por um médium, mas que não tivesse qualquer contribuição ou participação de espíritos desencarnados. Com essa definição o animismo passou a ser o pesadelo de todos os médiuns, especialmente os iniciantes, por ser usado como sinônimo de mistificação e fraude.

Animismo e mistificação

No entanto, mistificação é outra coisa completamente diferente, caracterizada pela fraude consciente do médium e a simulação premeditada do fenômeno mediúnico, com intenção de enganar os outros. Médium mistificador, portanto, é aquele que FINGE, premeditada e conscientemente, estar em transe mediúnico, recebendo comunicação de espíritos desencarnados quando, na verdade, está apenas inventando a mensagem para impressionar ou agradar as pessoas que estão à sua volta.

A atuação anímica do médium, por sua vez, acontece de forma quase sempre insconsciente, de modo que o próprio médium dificilmente consegue perceber a sua própria interferência ou participação no fenômeno que manifesta, não conseguindo separar o que é seu do que é criação mental do comunicante, mesmo quando o fenômeno, em si, é consciente.

É o que nos diz Hermínio C. Miranda em seu livro “Diversidade dos Carismas”, quando afirma que “o fenômeno fraudulento nada tem a ver com animismo mesmo quando inconsciente. Não é o espírito do médium que o está produzindo através de seu corpo mediunizado, para usar uma expressão dos próprios espíritos, mas o médium como ser encarnado, como pessoa humana, que não está sendo honesto nem com os assistentes nem consigo mesmo. O médium que produz uma página por psicografia automática, com os recursos do seu próprio inconsciente não está, necessariamente, fraudando e sim, gerando um fenômeno anímico. É seu espírito que se manifesta. Só estará sendo desonesto e fraudando se desejar fazer passar sua comunicação por outra, acrescentando-lhe uma assinatura que não for a sua ou atribuindo-a, deliberadamente, a algum espírito desencarnado.”(grifo nosso)

Animismo não é defeito mediúnico

O animismo não é, portanto, defeito mediúnico e nem deve ser tratado como distúrbio ou desequilíbrio da mediunidade ou do médium.

Na verdade, como parte dos fenômenos psíquicos humanos, deve ser considerado também parte do fenômeno mediúnico já que, como diz Richard Simonetti no livro já citado, “o médium não é um telefone. Ele capta o fluxo mental da entidade e o transmite, utilizando-se de seus próprios recursos“.(grifo nosso) “Se o animismo faz parte do processo mediúnico sempre haverá um porcentual a ser considerado, não fixo, mas variável, envolvendo o grau de desenvolvimento do médium.”

Hermínio Miranda, no livro já citado, diz que, “em verdade, não há fenômeno espírita puro, (grifo nosso) de vez que a manifestação de seres desencarnados, em nosso contexto terreno, precisa do médium encarnado, ou seja, precisa do veículo das faculdades da alma (espírito encarnado) e, portanto, anímicas.”

Interessante também vermos algumas anotações de Kardec referentes a instruções dos espíritos, em “O Livro dos Médiuns”: “A alma do médium pode comunicar-se como qualquer outra.” (…) “O espírito do médium é o intérprete porque está ligado ao corpo que serve para a comunicação e porque é necessária essa cadeia entre vós e os espíritos comunicantes, como é necessário um fio elétrico para transmitir uma notícia à distância e, na ponta do fio, uma pessoa inteligente que a receba e comunique.”

Em nota de rodapé, José Herculano Pires que traduziu a 2ª edição francesa de “O Livro dos Médiuns” diz que “o papel do médium nas comunicações é sempre ativo. Seja o médium consciente ou inconsciente, intuitivo ou mecânico, dele sempre depende a transmissão e sua pureza.”

Quando Kardec, ainda no mesmo livro, pergunta se “o espírito do médium não é jamais completamente passivo”, os espíritos lhe respondem dizendo que “ele é passivo quando não mistura suas próprias idéias com as do espírito comunicante, mas nunca se anula por completo. Seu concurso é indispensável como intermediário, mesmo quando se trata dos chamados médiuns mecânicos.”

Hermínio Miranda, citando ensinamento dos espíritos no livro de Kardec, diz ainda que “assim como o espírito manifestante precisa utilizar-se de certa parcela de energia que vai colher no médium para movimentar um objeto, também para uma comunicação inteligente ele precisa de um intermediário inteligente, ou seja, do espírito do próprio médium. (…) O bom médium, portanto, é aquele que transmite, tão fielmente quanto possível, o pensamento do comunicante, interferindo o mínimo que possa no que este tem a dizer. Reiteramos, portanto, que não há fenômeno mediúnico sem participação anímica. (grifo nosso) O cuidado que se torna necessário ter na dinâmica do fenômeno não é colocar o médium sob suspeita de animismo, como se o animismo fosse um estigma e sim, ajudá-lo a ser um instrumento fiel traduzindo, em palavras adequadas, o pensamento que lhe está sendo transmitido sem palavras pelos espíritos comunicantes.

Animismo como coadjuvante no fenômeno mediúnico

Quando Kardec, ainda no “O Livro dos Médiuns”, pergunta aos espíritos se “o espírito do médium influi nas comunicações de outros espíritos que ele deve transmitir”, recebe a seguinte resposta: “Sim, pois se não há afinidade entre eles, o espírito do médium pode alterar as respostas, adaptando-as às suas próprias idéias e às suas tendências.” Em seguida, Kardec lhes pergunta se “é essa a causa da preferência dos espíritos por certos médiuns”, ao que os espíritos respondem: “Não existe outro motivo. Procuram intérprete que melhor simpatize com eles e transmita com maior exatidão o seu pensamento.”

Vemos, portanto, que mais que parte integrante, o animismo é, até certo ponto, condição necessária para o fenômeno mediúnico, garantindo a sintonia adequada para que a transmissão seja o mais fiel possível às idéias do comunicante. Sem o conteúdo do médium é muito mais difícil para o espírito transmitir-lhe suas idéias e o que pretende com elas.

De posse do conteúdo mental e até emocional do médium, no entanto, torna-se muito mais fácil para o espírito fazer-se entendido podendo, assim, transmitir com mais naturalidade e desenvoltura o seu raciocínio.

No livro “Mediunismo”, Ramatis nos diz que “mesmo na vida física é necessário ajustar-se cada profissional à tarefa ou responsabilidade que favoreça o melhor êxito ou eficiência para alcance dos objetivos em foco. (…) Da mesma forma, o espírito do médico desencarnado logrará mais êxito ao se comunicar com o mundo material, se dispuser de um médium que também seja médico. Quando o médium e o espírito manifestante afinizam-se pelos mesmos laços intelectivos e morais, ou coincide semelhança profissional, as comunicações mediúnicas tornam-se flexíveis, eloqüentes e nítidas. (…) Os espíritos não se preocupam em eliminar radicalmente o animismo nas comunicações espíritas porque o seu escopo principal é o de orientar os médiuns, aos poucos, para as maiores aquisições espirituais, morais e intelectivas, a ponto de poderem endossar-lhes, depois, as comunicações anímicas, como se fossem de autoria dos desencarnados.”

Notamos, assim, que a preocupação com o animismo é muito mais de médiuns e dirigentes, do que dos espíritos que se comunicam nas reuniões mediúnicas.

Mediunidade consciente, semiconsciente e inconsciente

Mediunidade consciente é aquela em que o médium, como o próprio nome diz, permanece consciente durante todo o transe, registrando a mensagem e quase tudo o que se passa à sua volta durante a comunicação e participando ativa e conscientemente do fenômeno, imprimindo à mensagem muito de suas características pessoais. Neste caso, a comunicação se faz mente a mente, telepática e/ou energeticamente, sem o desdobramento do médium. Mais de 70% dos médiuns apresentam este tipo de fenômeno.

Mediunidade inconsciente é aquela em que, ao contrário da anterior, o médium, a partir da ligação com o espírito comunicante, fica inconsciente, incapaz de registrar qualquer parte da mensagem ou mesmo de qualquer coisa que ocorra à sua volta durante o transe. Neste caso, o médium é totalmente afastado de seu corpo físico, permanecendo projetado durante a comunicação, e o espírito assume o comando do órgão físico correspondente ao tipo de mensagem (psicografia - braço e mão; psicofonia – garganta; ectoplasmia - cérebro) a ser transmitida, sem que o conteúdo da mensagem passe pela sua mente.

Entre as duas, poderíamos citar a mediunidade semiconsciente que é aquela em que o médium percebe o que se passa à sua volta, mas não é capaz de registrar completamente todos os detalhes, nem mesmo da mensagem que está transmitindo. Neste caso o médium é afastado parcialmente de seu corpo físico e o comunicante se coloca entre este e o seu perispírito, ligando-se tanto com a sua mente como com o órgão físico correspondente ao tipo de mensagem, atuando duplamente.

Importante notar que fenômeno mediúnico consciente não é o mesmo que fenômeno anímico.

No fenômeno consciente, a mensagem não é do médium, embora ele esteja consciente de todo o processo e participe do fenômeno que ocorre com ele, sem interferir no seu conteúdo, sem deturpar a idéia central da mesma. O estilo, o vocabulário, a forma e o tom da mensagem são seus, mas o tema, a idéia, a essência e o conteúdo são da entidade. Por este motivo, médiuns conscientes costumam transmitir mensagens muito parecidas em termos de estilo e forma, porque é mais ou menos como se recebecem dos mentores um tema e alguns tópicos para redação e coubesse a eles desenvolvê-los, com seu jeito e palavras.

Já no fenômeno anímico, é o espírito do próprio médium que se comunica e dá a mensagem através de seu próprio corpo em transe, na maioria das vezes sem que tenha consciência de que é ele mesmo que está passando a mensagem, mesmo que esteja consciente do fenômeno e durante o fenômeno. Ou seja, ele pode até estar consciente de tudo, mas não tem consciência de que é ele mesmo que está se comunicando e transmitindo uma mensagem. Ele pode acompanhar o desenrolar da comunicação, mas não sabe que o comunicante é ele mesmo, ou uma porção inconsciente de sua própria consciência ou espírito…

Importante ressaltar também que é possível a espíritos encarnados se afastarem de seu corpo físico, em desdobramento ou projeção, e se manifestarem por intermédio de outros encarnados que sejam médiuns sem que, no entanto, este seja um fenômeno anímico. Na verdade, este é um fenômeno mediúnico entre encarnados (ou entre vivos como, incorretamente, se convencionou chamar, já que vivos somos todos encarnados e desencarnados), pois caracteriza-se pela interação espiritual de duas consciências encarnadas diferentes.

Animismo como conscientização para o estudo e a prática constantes

Se, como diz Hermínio C. Miranda, não há fenômeno mediúnico sem participação anímica, é importante que o médium se conscientize da necessidade e da importância do estudo sistemático e da prática constante, como meios de garantir uma participação anímica de melhor nível nas comunicações mediúnicas que se fazem por seu intermédio. Quanto mais conhecimento técnico e teórico tiver o médium, mais fácil será para mentores e amparadores encontrarem, em seus arquivos mentais, material em sintonia com as mensagens a serem transmitidas. Da mesma forma, quanto mais prática, quanto mais vivência mediúnica e espiritual tiver o médium, mais fácil será para ele mesmo compreender o sentido do que lhe é transmitido, podendo repassar com mais segurança e desenvoltura as idéias que recebe mentalmente.

Capacidades anímicas erroneamente classificadas como capacidades mediúnicas

Sendo o animismo a interferência, participação ou mesmo manifestação do espírito do próprio médium no fenômeno, vamos notar que determinadas capacidades psíquicas, classificadas como mediúnicas são, na verdade, anímicas por serem capacidades inerentes ao próprio ser humano, pois não dependem da interferência ou ação de mentes externas, encarnadas ou desencarnadas, para se manifestarem.

Vejamos alguns desses casos:

- clarividência, incluindo a precognição, a retrocognição e a visão à distância, que são tipos de clarividência;

- telepatia que, embora precise de outra mente para se caracterizar, é anímica, funcionando como interação entre receptor e emissor;

- psicometria, que poderia ser considerada também um tipo de clarividência, já que se trata da visualização de fatos e cenas, geralmente passados, relacionados a objetos;

- clariaudiência;

- transmissão de energias, seja por que técnica ou método for, desde o passe comum até bênçãos, etc.

- desdobramento ou desprendimento astral, mesmo os ocorridos durante trabalhos mediúnicos ou os provocados mediunicamente, ou seja, por espíritos desencarnados.

Acontece que, muitas vezes, estas capacidades são despertadas ou desenvolvidas com a ajuda direta de espíritos desencarnados, dando a impressão de serem mediúnicas. Nesse caso, a capacidade é anímica, pois é da pessoa e poderia se manifestar sem o auxílio de espíritos, mas a sua manifestação é mediúnica, pois só acontece quando entidades desencarnadas atuam, com energias e fluídos, sobre os comandos que a controlam. Acontece também de, muitas vezes, os espíritos desencarnados se comunicarem com as pessoas por meio dessas capacidades anímicas, dando também a impressão de serem mediúnicas.

Nesse caso, a capacidade é anímica, pois existe independentemente da presença dos desencarnados, mas o uso é mediúnico, já que é utilizada para a comunicação ou a transmissão de mensagens de espíritos desencarnados para os encarnados.

Maísa Intelisano

fonte: Povo de Aruanda

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Ouça os Pontos da Linha de Esquerda da Umbanda